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 Crónica Daniel Santos (aka Cobra)

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Cobra

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Mensagens : 2449
Data de inscrição : 24/04/2009

MensagemAssunto: Crónica Daniel Santos (aka Cobra)   Seg 07 Jun 2010, 19:25

Cangas de Onis - Miranda do Douro - Lisboa

E finalmente o último dia.
Confesso que já estava um pouco cansado (fisicamente), mas o corpo ainda aguentava, talvez mais um dia, de paisagens
e estradas de traçado deslumbrante. Hoje estava marcado o nosso regresso, que seria menos enfadonho que a ida, pois
por sugestão do Rui iríamos regressar para o nosso país mais a Norte por Miranda do Douro. O percurso daí em diante
já era meu conhecido. Fi-lo de mota o ano passado na Rota das Aldeias Perdidas, e já o fiz também umas quantas vez
de carro, pois tenho o privilégio da família da Célia ter casa por estas bandas. Já sabia de antemão que o troço de Freixo
até Barca de Alva não deixa em nada a dever, às maravilhosas curvas que tínhamos feito nos passados dois dias.
E o cenário, ainda que noutro estilo, também não fica atrás Twisted Evil .

O dia amanheceu ainda mais tristonho que o anterior, e desta vez parece que tínhamos chuva. Nada de alarmante, uns
pingos muito miudinhos, tipo chuveiro. Depois de acomodar no estômago outro pequeno-almoço reforçado, e de saldar as
contas na recepção, montámos as topcases e outros acessórios imprescindíveis, e fizemos-nos ao caminho.

Panorâmica da Plaza del Ayuntamiento (clique em cima da foto)




O regresso estava agendado por um apetecido desfiladeiro, el desfiladero de los beyos. Mas antes passagem pelo
posto de abastecimento à saída de Cangas, para o pleno. A passagem pelo desfiladeiro agradou-me bastante, mas
por tudo o que já tínhamos visto, a meu ver, está longe de ser a melhor estrada que fizemos, quer em traçado, quer
em cenário. Este desfiladeiro caracteriza-se por serpentear por um vale, ao longo do rio Sella, é composto por curvas
estreitas e pequenas, por vezes escavadas na rocha. Ao longo do percurso, vai-se várias vezes alternando a margem
atravessando pontes estreitas com ângulos de entrada e saída apertados. A estrada húmida, não permitia grandes
ousadias, de modo que fomos desfilando calmamente, uns atrás dos outros, apreciando a paisagem.
No fim de los beyos, a estrada começa de novo a ganhar altitude, e com ela, claro está, vem de novo a neblina.
Novamente por alguns quilómetros, andámos com cautela, com as luzes de emergência ligadas Shocked .

À medida que voltávamos a descer, o nevoeiro dissipou-se, e voltávamos a ter um percurso que rectas consideráveis,
alternadas por curvas amplas. Numa dessas rectas, passa por nós, em sentido contrário, um distinto binómio da guardia
civil, montados em duas ventoinhas RT. Pouco depois, vejo um deles de pirilampos ligados, no nosso sentido,
a ultrapassar a caravana. Íamos a velocidade moderada, nos limites impostos, e fiquei a aguardar que passasse o segundo.
No entanto, estando eu no fim da caravana e quando espreito no espelho, vejo o colega a colar-se à minha traseira sem
intenções de me ultrapassar. E pronto, pensei eu, está feito. Estávamos ensanduichados pela guardia civil espanhola.
Pouco depois, adiante, fomos desviados para um parque improvisado de um café de beira de estrada Suspect .
Daí em diante, é o que se sabe. Multaram-nos a todos com um profundo ar de satisfação, por não termos o dístico de
identificação de país, o tal "P". Não adiantou explicar, não adiantou apelar ao bom senso, estou ainda convencido que
se não fosse o "P", era o "O", ou outra coisa qualquer que lhes apetecesse. O certo é que mamaram ali 360€, e cada um
de nós ficou mais leve na carteira, em 40€. Do mal o menos. Tirando as indisposições várias provocadas pelos manjares
hispânicos, este foi o único verdadeiro apontamento negro da viagem. Tomara que fossem todas assim.
Mas pior ainda, é que mediante o itinerário ambicioso, estávamos apertados de tempo, e ali se terá queimado pelo
menos mais meia-hora. Com a iminência de vermos a nossa "factura" até à fronteira, acrescida de mais qualquer coisa,
seguimos com cautela e calma, mas sobretudo com muito receio de levarmos outro entalão mais adiante Suspect .
Coisa que felizmente não veio a acontecer.

Finalmente a aproximação a Riano, e novamente aquela paisagem de cortar a respiração. Desta vez, com o tempo a ameaçar
chuva, o lago estava mais sombrio, mas não menos espectacular. Claro está, impunha-se outra paragem, em forma de
despedida, neste local, que parece ser informalmente, o portão de acesso, aos Picos da Europa sunny .

Panorâmica de Riano (clique em cima da foto)


Depois vieram de novo as autovias. Zamora, Benavente e finalmente já se via Miranda, e o nosso querido país, cuja chegada
nos soube muito bem. Antes, ainda fizemos um última abastecimento do lado espanhol, para aproveitar os preços do precioso
líquido.
A passagem entres os territórios faz-se por uma barragem com paisagem inspiradora. Tão inspiradora que Jack que ia à minha
frente se distraiu e ia rebarbando o pequeno muro que limitava a estrada Laughing .



Já todos com muita fome, fomos directos ao restaurante, o Moinho, o qual recomendo. Todos à excepção da Sónia escolheram
a bela da posta à Mirandesa. Pudera, depois de uma dieta forçada à base de lombo, frango e panados, o naco seria qualquer
coisa divinal. A vontade era tanta, que o pessoal não mediu as doses. Foi com grande dificuldade que dei "cabo" da minha,
e mesmo assim, tive de me dar por vencido, e devolver ainda uma quantidade considerável de carne Embarassed .

Panorâmica do almoço (clique em cima da foto)






Saímos satisfeitos com tão farto repasto. Alguns até estavam meio inebriados, ao ponto de fechar a topcase com a chave lá dentro Smile .
Felizmente estas novas Maxias, são de abertura "fácil", e não foi preciso chamar o serralheiro.



Seguimos caminho até Freixo de Espada à Cinta, sob um calor abrasador. No percurso, apareceu-nos uma cobra (das verdadeiras!)
na estrada que levou por cima, primeiro o carro da Sónia e depois a mota do Máximo. Não deve ter sobrevivido, coitada Mad .
Depois de passarmos Freixo, e à saída da mesma, impunha-se uma paragem para um pequeno briefing. O Rui avisava o pessoal
sobre o desafio do percurso que se estendia à sua frente, e sobre a sua vontade de o fazer calmamente pra desfrutar da paisagem.
A previsão do GPS, dava-nos chegada por volta das 23h. Alguns acharam por bem prescindir de mais percursos cénicos e acelerar
o passo. O que se percebe, o pessoal já ia com cerca de 1500kms no pêlo. Eu, o Bento+Vanda, Jack+Sónia+Leonor e o Paulo (beta-v)
iríamos acompanhar o Rui no regresso, com o mesmo ritmo utilizado até agora, fazendo o delicioso percurso pelo interior até Almeida.

E assim foi. Uma sucessão de curvas estonteantes, sempre com o Douro de fundo e seus vinhedos. Apesar de já o ter feito várias
vezes este percurso único continua a não me deixar indiferente. Algo verdadeiramente único. Depois do traçado fabuloso, passagem
pela ponte sobre o Douro e por fim, a chegada a Barca d'Alva. Mais uma pausa, mais umas fotos, e uns refrescos no café local.
E que bem soube! Para mim, é sempre um encanto este lugar cheers .

Panorâmica do Cais de Barca d'Alva (clique em cima da foto)








Dois dedos de prosa, e regressávamos à estrada para fazer mais uma sucessão de curvas fantásticas (uma verdadeira barrigada!).





Seguimos pelo Escalhão, Figueira de Castelo Rodrigo e finalmente Almeida, onde ladeamos a sua fortaleza. Depois seguiu-se um
troço da A25, onde nos despedimos do casal Bento e Vanda, e por fim entroncámos na A23 para "gramar a pastilha" até Torres Novas.
Nesse trajecto tivemos a companhia de uma CB500 que, provavelmente estaria de regresso do Lés-a-Lés. Sem ninguém lhe dizer nada,
o tipo incorporou a caravana de forma irrepreensível, colocando-se logo atrás de nós, e seguindo sempre todas as nossas manobras.
Despediu-se de nós um pouco antes de Torres Novas, aquando de um reabastecimento oportuno que tivemos de fazer.

Novamente na estrada, seria altura da tripla Jack, Sónia e pequena Leonor nos deixar, restando apenas três mosqueteiros que
rapidamente seguiriam pela A1. Já estava a noite posta, o Rui seguia à frente, o Paulo no meio (com o handicap de não ter espelhos)
e vinha atrás a fechar a "comitiva". Ainda fizemos outra paragem, para o Rui me passar o carregador que lhe tinha emprestado
(uma vez que o dele tinha cedido, logo à chegada em Salamanca). Ao desmontar a coisa, deixou cair um parafuso no chão, e ainda
andámos os três de rabo para o ar, à procura do dito. Com a ausência de luz adequada e o adiantar da hora, resolveu-se esquecer
o dito parafuso, e voltámos a carrilar na A1. Mas adiante, ainda tivemos de fintar o trânsito compacto na sequência de um
acidente, mas não demorou muito até voltarmos a ter a estrada livre. No Carregado segui com o Rui pela A10, enquanto nos despedíamos
do Paulo (beta-v) que seguiria a A1 em direcção à margem Sul. Finalmente, separei-me do Rui na A9, seguindo o meu trajecto até casa.

Chegada à hora prevista, cerca das 23h, completamente estoirado, mas com um largo sorriso nos lábios e sobretudo com excelentes memórias
que quero preservar Very Happy .

Pontos positivos:
Quase tudo, mas em especial o companheirismo que viveu, quer na estrada, quer fora dela.
Destaque para a nova aquisição do comando (espero eu!), o casal Sérgio e Ana, que demonstraram grande coragem e receptividade e se
portaram à altura. Faz falta elementos destes.
Também uma palavra para a Sónia e pequena Leonor que nos fizeram sempre companhia sem comprometer em nada, todo o trajecto da caravana.
Muito desenrascada, a Sónia ultrapassava o que fosse preciso, seguindo sempre atrás da caravana.
Todas as Stroms. Tirando os espelho do Paulo, e o atesto de óleo da Strom branco no último dia, todas elas se portaram impecavelmente
sem nenhum reparao, e aguentaram os cerca de 2000kms como se nada fosse.

Pontos negativos:
Tirando a comida à base de fritura, mais ao alcance das nossas bolsas,
a total sacanice da polícia espanhola que estava feita para levar os euros, mesmo assim, não foi o suficiente para assombrar a viagem.

Uma referência à hospitalidade dos espanhóis... que é quase nenhuma Suspect .
Completamente profissionais, mas nada hospitaleiros. Não se lhes vê interesse em mostrar a sua cultura ou região, ou sequer interesse
em agradar-nos ou curiosidade por saber o que lá andamos a fazer. Creio eu, uma postura completamente inversa à nossa.

Ainda de destacar um grupo de três motard portugueses do MCL que por lá andaram no nosso encalce, mas que aparentemente deveriam
ter algum receio que lhe pegássemos alguma doença, pois apesar de virem ter connosco na nossa chegada em Riano, não nos dirigiram a palavra.
Nem nessa ocasião, nem em Fuente De quando os reencontrámos, nem em Cangas quando os revimos... Vá-se lá saber porquê scratch .
É estranho, sobretudo porque motas por lá não faltam, e nunca ninguém se negou ao habitual cumprimento, quer espanhóis ou estrangeiros.

O meu sincero agradecimento a todo o grupo, que funcionou ordenadamente e em uníssono, sem qualquer problemas ou reparo.
Assim dá gosto e confiança andar convosco. Como já foi dito, desta forma, éramos capazes de ir até ao fim do mundo cheers .

Esta foi a minha maior e melhor viagem em duas rodas. Quer pelos locais por onde passámos, quer pelo percurso desafiador, quer pela caravana onde me incluí.

À medida que os passeios vão sucedendo, vai sendo cada vez mais difícil olhar para a Strom e pensar que um dia terei de me separar dela.
Já são uns quantos kms de cumplicidade... Mas que máquina!...

Depois desta aventura, os passeio de um dia, parecem-me já curtos!

Aqui ficam as minhas memórias, enquanto ainda estão frescas. Espero que ajude a criar o "retrato" para quem não foi, e que avive o mesmo aos que foram.

Apenas tenho mais uma coisa a dizer...

Rui, anda lá com o próximo... Wink

Cumps!

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