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 Rota TransPirenaica #2013

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Cobra

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MensagemAssunto: Rota TransPirenaica #2013   Seg 16 Set 2013, 09:45

Então foi assim:



3000kms a subir e descer:



Inicio:07:09:2013 15:44:08
Fim: 14:09:2013 18:09:47

Distância total percorrida (GPS): 3066kms

Tempo Total: 170h25mn39s (Andamento: 54h22mn42s + Paragens: 116h02mn57s)

Altitude Mínima: 5m
Altitude Máxima: 2236m
Altitude Média: 650m

Velocidade Média (andamento): 56km/h

Distribuição de velocidades:
<60/h: 22.8%
<100/h: 29.4%
<150/h: 47.7%
+149/h: 0.1%




Cumps!

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Última edição por Cobra em Sex 20 Set 2013, 12:48, editado 1 vez(es)
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Cobra

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 18 Set 2013, 09:14

Dia 01.

A aventura começou efectivamente de véspera - passo a explicar. A data de partida estava definida para dia 8, o Rui estava de férias no Norte e só regressaria no sábado dia 7.
Para dia 8, tínhamos pela frente uns ambiciosos 900kms até Pamplona. Uma boa estucha. mas nada de incomportável, já fizemos bem pior num só dia (Lisboa-Lérida, uns 1000 e picos).
A nossa localização geográfica assim o obriga, sempre que queremos viajar pela europa, temos de "gramar" Espanha em toda a sua longitude.
Dado que seriamos apenas os dois a viajar, avancei com a hipótese de partirmos a distância a "meio" com uma dormida em casa de família ali para a bonita região do Alto Douro.
Assim, saindo ainda no Sábado ao fim da tarde, dormiríamos já próximo da fronteira, cabendo depois o resto do trajecto até Pamplona para o Domingo.
O Rui só teria de fazer a viagem para baixo de carro e depois para cima de mota Smile
Assim foi, pelas 16h e tal, encontrávamo-nos em Lisboa para fazer a A1 até Torres Novas e daí a A23 até à Guarda.
Tigers atestadas com rodados na pressão correcta e siga para Norte.
Fizemos a A1 com um vento do caneco, sempre a levar lambadas no capacete. Quando mudámos o rumo para Este, já na A23, a coisa ficou melhor.


aqui durante um abastecimento na A23 na estação de abrantes

Como estávamos com tempo, tentámos reduzir a absurda conta que é fazer a A23 de uma ponta à outra (cerca de 16,75€).
Saímos para o IP2 depois do Fratel, e voltámos a entrar em Benquerenças. Finalmente, depois de passar o Fundão, cortámos para a N18 e daí seguimos até à Guarda.
É uma estrada que se faz bem quando se vai com vagar, passando por algumas localidades interessantes como Belmonte.
Ao todo devemos ter poupado uns 6€ e gasto mais 35 minutos, o que é mais que razoável.
Na Guarda, abastecemos mais uma vez, e daí seguimos em direcção a Figueira de Castelo Rodrigo. Tinha ali um percurso por Pinhel que achava eu nos evitaria um pórtico da A25, mas por qualquer razão o meu navegador de serviço achou que o melhor era mesmo passar pelo pórtico… Assim acabámos por fazer o caminho mais rápido, que é passando pela bonita vila de Almeida. Infelizmente hoje não havia tempo para visitas e passámos por Almeida com o Sol já a pôr-se.
Finalmente Figueira de Castelo Rodrigo. Dali até casa são mais cinco minutos. Seriam umas 20h45 quando chegávamos à aldeia (Vilar de Amargo) onde iriamos dormir.
Já estava o jantar à nossa espera. Estacionámos as Tiger à porta e fomos ao garfo! Aqui a ementa é sempre petisco - enchidos, queijos, caldeidaradas, feijoadas, mariscadas, cabrito, coelho, javali, bacalhau, eu sei lá... Cada vez que venho aqui vou para baixo com mais dois quilos.
Hoje esperava-nos uma bola de carne da região, um bacalhau assado na brasa à moda do chefe, seguido de uma deliciosa carne assada... Tudo isto claro regado com pinga da região, que é coisa para a qual não desperto, uma vez que não toco no tinto... A minha cena é mais "bolos", e felizmente para acabar, o clímax, uma fantástica tijelada típica, daquelas feitas mesmo com ovos de galinhas poedeiras!...
Quando entrámos na aldeia reparámos que estava o arraial montado na praça da torre do relógio... Para nossa sorte ou azar era dia de festa, da Nossa Senhora dos Remédios.
Aviados e cansados, dispensámos o baile, até porque da minha parte tenho dois pés esquerdos e cada vez que vejo uma concertina sobe por mim acima uma fúria capaz de me fazer enrolar o dito instrumento à volta do pescoço do músico. Com a festa na aldeia, não iria ser fácil reclamar o devido descanso. Ainda tentei deixar-me levar pelo cansaço e fechar os olhos naturalmente, mas o baterista da banda parecia estar em esforço, o que me obrigou a enfiar uns belos tampões nos ouvidos. Só voltei a acordar com os morteiros, dois grandes balázios capazes de acordar os falecidos no cemitério. Depois foi o descanso até de manhã. O Barradas vinha estourado de tanta estrada e dormiu que nem uma pedra, não houve artista ou instrumento que o incomodasse.
De manhã lá estávamos a postos para seguir viagem, coisa que fizemos depois de tomar o pequeno-almoço e despedidas. Soube bem fazer aqui uma paragem, pela recepção e pelo jeito que nos deu.
Como íamos com tempo, levei o Barradas até ao topo da Marofa, ficava de caminho e ele não conhecia.


tigras na marofa

O fogo andou por lá, e chegou à estrada.



Parte de uma encosta estava negra, mas lá em cima o encanto da vista com o Cristo Rei continua intacto.



cristo rei da marofa contemplando castelo rodrigo.

Daqui avista-se Castelo Rodrigo, a vila muralhada e seu castelo no topo do monte. Logo de seguida a Figueira de Castelo Rodrigo aos pés da encosta.




Não será preciso mais descrições, creio que as fotos falam por si.


antenas da marofa

continua...

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Última edição por Cobra em Qua 18 Set 2013, 09:30, editado 3 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 18 Set 2013, 09:15

Tínhamos decidido passar a fronteira por Saucelle (mais a Norte), em vez de sair por Vilar Formoso. Isso permitir ia-nos fazer duas coisas - atravessar o Douro por Barca Dalva (magnífico local), e fazer parte da fantásticas curvas da N221 que às tantas ladeia o Douro a Norte a partir de Barca Dalva. Quem não conhece essa estrada (troço Escalhão-Freixo de Espada à Cinta), tem de lá ir, vale a viagem.
Fizemos a N221 até Barca descontraídos a curtir a estrada e paisagem.
Ainda antes de atravessar o Douro decidimos fazer uma paragem no que resta da antiga estação internacional da linha do Douro.



Em tempos idos, este lugar acolheu muita gente, era por aqui que se entrava e saía de Portugal. Hoje pouco resta, o edifício foi murado, os hangares estão podres, e grande parte dos carris da linha foram roubados.




Atravessámos o Douro e continuamos pela N221. Mais a diante seguimos pela barragem de Saucelle e subimos até ao miradouro que nos dá uma vista privilegiada do Douro e das suas margens.


vista do miradouro de saucelle



Depois foi seguir pela nacional até Salamanca, atravessando a paisagem rural que aqui predomina. Muito gado nesta região, algum pelo caminho.

Em Salamanca entrámos pela Autovia de Castilha, felizmente bom piso e de borla. Aí nos mantivemos até Burgos onde termina. Qualquer coisa como 250kms feitos.
Daqui seguimos por nacional, o que soube bem. Passámos Logroño e continuámos em direcção a Pamplona. A paisagem por aqui é interessante e a estrada agradável de fazer (rápida, bom traçado e bom piso).
Num abastecimento encontrámos dois companheiros entradotes, cada um na sua Moto Guzzi. Achámos que seriam italianos, mas não, eram alemães. Andavam numa volta um pouco ao acaso.
Estivemos ali uns minutos a falar. Explicámos-lhes para onde íamos, e eles de onde vinham. Tinham andado nos Picos, mas com pouco sorte, só apanharam chuva... E nós a ver vamos o que nos calha lá para a cordilheira onde vamos.
Depois acabámos por seguir todos juntos. As Tigras à frente... Às tantas o mais experiente deles ultrapassa-nos, o tipo andava solto, sem grande preocupação dos limites de velocidade.
O colega deles ficou no fim da caravana. Seguimos assim uns quilómetros, até que deixámos de ver o alemão que seguia atrás. Rodei o acelerador para alcançar o que seguia à frente, para avisá-lo, o tipo não parecia muito preocupado, ia a curtir a mota e o cenário.
Acabámos por parar todos. O Barradas avisou-o que o companheiro tinha ficado para trás, o tipo respondeu que provavelmente tinha parado para uma foto. E nisto seguimos, deixando o alemão à espera do outro.
Não esperou muito, depois de arrancar logo avistei o farol da mota no fundo da estrada. A partir daqui distanciamo-nos dos dois e seguimos o nosso caminho até Pamplona, que alcançámos pelas 20h00 já ao cair do dia.

Reservámos um hotel no limite da cidade, fora da confusão. Tinha garagem para as motas e o preço era bom. Pamplona não estava no nossos planos de visita, seria apenas um ponto de paragem para alcançar o nosso propósito, os Pirenéus.
O hotel tinha boa pinta, e chegámos lá contornando a cidade, o que acabou por ser cómodo. Depois de instalados, saímos à rua à procura de jantar. Para surpresa nossa, o movimento era nulo. Ninguém na rua e quase tudo fechado.
Ou é do bairro, ou então o pessoal aqui rege-se por outras regras. 21h00 nalguns lugares de Espanha é precisamente quando começa a fiesta. Demos uma volta rápida, e o melhor que arranjámos foi um restaurante chino!
Um restaurante chinês típico, mesmo ao lado do hotel, bastante amplo... Lugar para mais de 50 pessoas, e só lá estávamos nós dois Smile



Mandámos vir umas misturas daquelas, como temos por cá. Estava tudo bom e em conta... Bom, pelo menos hoje com fome não ficámos.


os guardanapos faziam um efeito esquisito

Depois regressámos ao hotel, que já refrescava na rua. 30 minutos de net, actualizar facebook, consultar o tempo e de seguida estávamos a preparar-nos para dormir.
Amanhã vem o que interessa, Pirenéus…

continua...

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 18 Set 2013, 20:29

Dia 02.

Acordámos, rotina da manhã e arrumar malas. Tínhamos decidido tomar o pequeno-almoço pelo caminho. Hotel pago, motas carregadas, siga o caminho.


já preparados para seguir viagem.

Saímos de Pamplona por fora, como entrámos, evitando o centro da cidade.

O tempo estava inconstante com o céu a alternar entre o azul e cinzento.

Seguimos pela Autovia del Priineo, até próximo de Sanguesa, aí saímos para a nacional para abastecer numa estação de serviço. Em Portugal estamos mal habituados, com estações de serviço à beirinha da estrada de um lado e do outro, se faz favor. Os nossos “hermanos” têm o hábito de racionar os postos de abastecimento. Apenas um único para os dois sentidos e por vezes esse dá serventia a várias vias. Quem precisar que dê as voltas para lá chegar.

Este por acaso até estava um pouco mal enjorcado. Enfiado numa rotunda entrava-se por um lado, saia-se pelo outro, mas sem nos livrarmos de dar ali umas voltas.
Aproveitámos para tomar ali o pequeno-almoço, na cafetaria de um hotel mesmo ao lado.
Estava fresquinho e talvez isso justificasse as poderosas sandes que os espanhóis mandavam abaixo logo às 10h da manhã… Acompanhadas claro, com tinto e cerveja… Aqui trabalha-se, pensei eu.

Para nós, um café com leche e uma napolitana bem grande para cada um, e está feito.

Como queríamos fazer a nacional que circunda a albufeira de Yesa, achámos que já não precisaríamos regressar à autovia e podíamos seguir logo por ali… Pressuposto errado. Dali a estrada segue pela margem Este à distância. O que pretendíamos era precisamente o contrário, rodar a Oeste e próximo da água. Depois de dois ou três quilómetros, mudamos o sentido e regressámos à autovia seguindo o itinerário marcado pelo GPS.

Finalmente uns quilómetros adiante saímos da via rápida. Logo ali tive de fazer uma paragem para ajeitar o material cinematográfico, parece que ia torto segundo o Barradas, e ia mesmo. Nesse momento passou um grupo de franceses por nós, uma multistrada e umas BMs entre outras… Nenhuma inglesa.

Continuámos, mas não por muito tempo. Estrada cortada devido a obras… Ora bolas!... A passagem pelo lago começava a ficar comprometida. Disseram-nos para regressar à autovia e sair na próxima, uns 5kms adiante… Não nos livramos desta bendita via rápida… Assim fizemos, ainda apanhámos um pouco do lago, mas manifestamente um troço muito curto. Para trás tinham ficado talvez uns 8kms de estrada mais interessante.



Passámos por Jaca, sem lá parar e daí seguimos ao lado da autovia até Sabinanigo. Demos uma volta por ali e parámos para o Rui conseguir levantar dinheiro numa caixa. As Tiger ficaram meio arrumadas à beira da estrada e logo dois velhotes espanhóis bem dispostos se aproximaram. Queriam conversa… Um deles dizia que já tinha sido motard. Eram simpáticos, perguntaram-nos por onde íamos, e que andava por ali a prova da Vuelta. Não nos alongamos muito, seguimos rumando para Norte.

Circundámos a albufeira de Búbal que não levava muita água, e logo depois já próximos da fronteira o trânsito abrandava. Ficámos com receio, já tínhamos avistado os placards electrónicos a avisar de estrada cortada por causa de prova ciclística…

Afinal seria só uma operação de fiscalização da guardia-civil. Passámos sem chatices e em breve estávamos a chegar ao nosso primeiro Col (ou pico), o do Pourtalet (1794m) que marca também a fronteira entre Espanha e França.



O tempo estava fantástico, céu azul com algumas nuvens clarinhas.



Parámos as motos para tirar umas fotos e apreciar o cenário.



Muito movimento, apesar de ser época baixa (aqui tudo funciona em plenitude nos meses de frio).



Umas quantas casas de negócio a funcionar, café, restaurante, bazar, roupas e souvenirs. Algum pessoal a curtir o Sol na esplanada.





Estávamos finalmente nos Pirenéus, mas propriamente do lado gaulês.

Logo que passámos o Pourtalet estenderam-se à nossa frente aquelas enormes encostas e vales verdejantes, um verde vivo e autêntico que parece que não se esgota. A humidade aqui está presente o ano inteiro e será provavelmente a isso que se deve este tapete magnífico.

E nisto estavam horas de almoço, que aqui não se come tarde.

Parámos na primeira localidade que nos apareceu (Gabas), num restaurante à saída da mesma.


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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 18 Set 2013, 20:34

Ficámos na esplanada no exterior onde se encontravam duas jovens a terminar o almoço. Vinham carregadas as raparigas, com aquelas mochilas enormes de meter às costas. Estavam descalças e com os pés bem machucados, andavam a descobrir a região a pé…



Sentámo-nos e aguardámos que nos vissem atender. Entretanto tínhamos espreitado o menu afixado… Mas infelizmente (ou felizmente), estavam à aguardar um grupo, de modo que a ementa estava sem efeito… Mesmo assim, não ficaríamos sem almoço, tinham em abundância um prato típico daqui, a “Garbure”. Uma das raparigas caminhantes recomendou-nos o pitéu, de modo só poderíamos aceitar.

Este prato é essencialmente um caldo de pato com vegetais. Aqui praticamente todos os restaurantes o têm na sua ementa.

Ficámos a saber mais tarde que era originalmente um prato de pobre, e que geralmente não há dois iguais, pois para além do pato cozido os ingredientes que se utilizam são basicamente o que houver no momento na despensa.

Passado pouco, veio um panelão para a mesa.



Que me recorde, para além do pato (ou da pata) o caldo tinha em abundância, cenoura, cebola, alho poro, batata, nabo, feijoca e provavelmente outras coisas que já não me lembro ou não detectei…



Estava bom, e apesar deste tipo de comida não ser muito o meu género, quando vou a algum lugar gosto de provar o que por lá se come.

Fomos despejando a panela, sem no entanto lhe ver o fundo. Não porque não estaríamos a apreciar, mas porque efectivamente a quantidade era muita. As nossas amigas já despachadas carregaram a trouxa e seguiram despedindo-se e desejando um bom dia… Só pela simpatia, teríamos lhes dado uma boleia, não fossem elas na direcção oposta.

Despachado o prato principal, eu queria era saber da sobremesa… Smile

Entre várias coisas, a tarte de mirtilo chamou a minha atenção, e pelos vistos também a do Barradas… Ora, duas "s’il vous plaît".

Grande aspecto… E para que conste, melhor estava…



Uma massa areada coberta com doce de mirtilo, acompanhada com pêssego em calda de baunilha, molho inglês e uma flor de chantilly… Caneco, assim dá gosto acabar uma refeição!



Saboreamos aquela boa dose de açúcar e ficamos ali um pouco à conversa.



Volta não volta, passavam um ou dois ciclistas, já se começava a notar o movimento do pessoal do pedal.



Pedimos a conta (modesta, diga-se) e seguimos caminho em direcção ao próximo Col (pico).

A estrada ia serpenteando pela encosta com vistas deslumbrantes. Estava a encher-nos a vista.



Passámos pela localidade de Gourette e logo a seguir parámos no miradouro para tirar umas fotos.


as tigras parqueadas no miradouro, a exibir os seus traseiros sexys

Já por aqui se via ciclistas em barda, para cima e para baixo.




vistas para gourette




O raio da paisagem por aqui é magnífica.




vista do outro lado do miradouro


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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 18 Set 2013, 20:41

Mais umas curvas a subir e finalmente o Col d’Aubisque (1709m). Local espantoso com algum movimento. Alguns turistas e ciclistas. Este é geralmente um ponto de passagem da prova de volta à França, pela subida dura que tem.





Para além dos curiosos e dos amigos do pedal estavam por ali também uns simpáticos cavalos.



Há por aqui muitos, todos da raça Merens. Têm um porte estranho, e parecem resultar de um cruzamento entre cavalo e pónei. São grandes, mas não muito altos, mas redondos, com umas patas poderosas.

E claro, por aqui também encontrámos vacas... Destas:


a apreciar a tranquilidade da paisagem

Andam por todo o lado e têm uma aspecto bem saudável, provavelmente por viverem no meio deste paraíso verde.



Em homenagem ao ciclismo e ao Tour de France, foram ali postas três bicicletas gigantes que fazem as delícias dos turistas.





Naturalmente também tirámos uma foto com elas.



Depois de umas quantas fotos, voltámos às Tigers e seguimos caminho.



Próximo ponto, Col du Soulor (1474m).

Este mais discreto (sem esculturas ou monumentos pelo menos), mas não menos frequentado.





Novamente, gado solto um pouco por todo o lado…







E muita gente a pé a curtir a natureza…





Estivemos ali uns 15 minutos antes de voltar à estrada e seguir o nosso caminho.



Começámos a rumar para Sul em direcção ao nosso destino, o lugarejo de Gavarnie.

Passámos por algumas localidades. Atravessámos Argelès-Gazost e Luz-Saint-Sauveur com algum calor, o tempo estava óptimo. Finalmente enfiámo-nos pelo vale passando pela aldeia de Gèdre que fica a uns 5kms de Gavarnie.



E chegávamos a Gavarnie ainda com luz do dia.



Garvanie fica num ponto sem saída, virado para umas das maiores maravilhas naturais dos Pirenéus, o “Cirque”, ou o Circo de Gavarnie.



Trata-se de um anfiteatro natural de origem glaciar com cerca de 800m de largura no ponto mais baixo. No seu interior corre uma cascata, a que é conhecida por ser a maior da Europa, cerca de 420m de queda de água.

A aldeia está situada a cerca de 4kms do antiteatro, sendo o acesso até lá feito a pé. Algo que tínhamos guardado para a manhã seguinte.





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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 18 Set 2013, 20:43

Seguimos com as Tiger até próximo do nosso hotel. A proprietária de nome Sylvie, muito simpática veio nos acolher e orientar para estacionarmos as inglesas na parte de trás do hotel num parque improvisado. Ficaram ali bem, montadas no descanso central.

Outra rapariga mais nova apareceu para nos ajudar com as malas. Uma andorrana simpática que queria carregar as malas das Tigers. Dissemos que não seria preciso, que eram pesadas.

As moças estavam preocupadas que dessemos umas porradas valentes nas paredes que tinham sido revestidas a papel recentemente. Tranquilizámo-las, assegurando que apesar deste aspecto rebelde que tínhamos, íamos fazer o devido cuidado. Tudo ali estava no devido sítio, arranjadinho, percebia-se que o local era mantido por senhoras.

Instalamo-nos no quarto, com vista para o Cirque como nos tinham anunciado.

Deixámos os carregadores a trabalhar, mas aparentemente faltava luz no quarto. Descemos, alertamos a Sylvie para o problema e saímos para dar uma volta.

Fomos espreitar o caminho para o Cirque, para ver o que nos esperava amanhã de manhã.





Depois de andar alguns metros, percebemos logo que era muito promissor, e continuámos mais um pouco.



O dia estava a pôr-se, ainda conseguiríamos chegar à cascata, mas o regresso seria seguramente feito de noite.





Voltámos para trás, deixando a caminhada até à cascata para amanhã.





Voltámos a Gavarnie à procura de jantar.



Demos por ali uma volta.


felizmente "garages" (oficinas) não foram precisas

A aldeia não é grande e vê-se em pouco mais de meia-hora.



Tudo aqui é muito caro, e por esta altura em época baixa está quase tudo fechado não havendo grandes opções.





Acabámos por escolher um restaurante perto do hotel com esplanada.

Apesar da temperatura estar a baixar rapidamente optámos por ficar do lado de fora e mandávamos vir um “plat du randonneur”  que é o mesmo que dizer, “o prato do caminhante”. É

certo que não andámos muito, mas tratávamos já de acumular para amanhã.



Na verdade nada de especial ou muito elaborado. Salada, presunto, queijo de cabra, dois ovos e batata frita… Nem com os crepes de chocolate que se lhe seguiram fiquei impressionado.



Impressionados ficámos depois, quando nos pediram mais de 15€ por cada jantar… Bem, na verdade estava alinhado com os preços praticados por aqui, e também verdade seja dita, não sendo famoso, não ficámos com fome.

A meio do jantar apareceu a Sylvie a dizer-nos que o problema da luz estava resolvido. Segundo ela seriam os nossos carregadores que deram cabo do quadro. Um problema qualquer de potência eléctrica que havia por ali. OK, tudo bem, carregamos à vez…

Depois de matutarmos um pouco sobre isso, não pareceu que fizesse sentido… Dois intercomunicadores a consumir no máximo 1 âmpere, mais uma câmara a consumir outro não faria seguramente mais mossa que uma lâmpada… Aí o Rui lembrou-se de uma ficha tripla que tinha colocado. Lembrou-se que no dia anterior não a tinha utilizado no hotel em Pamplona…
Estava aí a fonte do problema, o raio da tripla devia estar em curto.



Regressámos ao hotel, e depois de umas experiências, confirmou-se… A tripla do Barradas estava nas lonas. Bastou não utilizá-la para podermos carregar tudo o que nos apetecia…

A Sylvie entretanto disse-nos que se previa pioria de tempo para amanhã… Boa.

Viemos munidos com a roupa e calçado apropriado, desde que não estivesse a pingar a cântaros… Bom, amanhã logo vemos.

Sem wifi ou coisa que o valha para entreter, fomos à deita, até porque amanhã o acordar seria cedo de modo a podermos fazer a caminhada de manhã e seguir rolando da parte de tarde.

continua...

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Sex 20 Set 2013, 17:08

Dia 03.

Acordámos cedo e espreitamos cá para fora o tempo. Não estava nada famoso, tudo coberto.

Despachamos a rotina da manhã e descemos para o pequeno-almoço.

Cá em abaixo já estava um grupo a preparar-se para uma caminhada. Uns dez velhotes franceses, bem dispostos, equipados até aos dentes e acompanhados de um guia. Levavam farnel, o que indiciava que a caminhada seria grande... Ou então iriam devagar.

Rapidamente se fizeram ao caminho e ficámos a sós na sala para tomar o pequeno-almoço.

Já estava na mesa o pão, croissants, manteiga e doces quando se sentou na outra ponta da mesa um individuo de aspecto intrigante. Aparentava ter uns 50 e muitos/60 e poucos e, ou via mal ou estava muito intrigado com o que nos tinham acabado de servir, pois chegou mesmo a esticar o pescoço para espreitar.

Veio o café para nós, e pouco tempo depois também para o fulano.

Às tantas o tipo não resistiu e meteu conversa, começou a falar em espanhol para nós, acho… Respondi que éramos portugueses, e que estávamos por aqui a passear de mota.

"Ah, então foram vocês que estacionaram ao lado do meu carro, não lhe fizeram um risco? não?" – disse-nos ele.

Quando comecei a querer dizer-lhe que não, que tínhamos tido cautela, o tipo esboçou um sorriso dizendo que estava a brincar, e que não ligava nenhuma a carros.

Afinal o tipo era bem disposto e apenas queria falar um bocado.

Estivemos ali a falar um pouco, o senhor era de Marselha, coisa que desconfiei logo pelo sotaque, o pessoal do Sul de França tem uma maneira de falar cantarolando, nota-se logo.
Disse-me que já tinha estado em Portugal, em Lisboa e no Porto e que adorava a nossa comida. Falou-me também que tinha 68 anos e que gostava de fazer caminhadas e comer bem. Enganava, não lhe daria 68, pelo menos pelo aspecto e genica que o homem aparentava.

Falamos de mais umas coisas durante o pequeno-almoço, e depois percebemos que ele iria fazer a volta maior do Cirque. Há por aqui muitos percursos a fazer em Garvanie, e várias opções em redor do Circo. A volta mais pequena (a que íamos fazer), que é basicamente ir da aldeia até ao pé da cascata são cerca de 4kms e picos para cada lado com cerca de 200m de desnível, algo para fazer nas calmas em 3h (ir e vir). Depois há mais opções em redor da cascata para dia inteiro, 8 ou mais horas. Para quem goste de andar pela natureza, este lugar é um pequeno paraíso.

Depois do pequeno-almoço tomado, fomos libertar o quarto, deixando as Tigers já carregadas, prontas a arrancar no nosso regresso… E depois, finalmente saímos para dar às pernas.

Estava mais para chover que para outra coisa. Curiosamente não estava muito frio.

Durante a noite tinha-se instalado um capacete de nuvens por cima de Gavarnie que trouxe com ele um raio de uma humidade.

Passámos pelos cavalos e burros à saída da aldeia. É possível fazer o passeio nestes por 20 a 30€… Até poderíamos fazê-lo, mas não era a mesma coisa… Fomos antes a pé.



Refizemos o caminho até ao rio que tínhamos feito de véspera, e continuamos em direcção ao Cirque que nunca se perde de vista durante toda a caminhada.





Por esta altura já pingava uma chuva miudinha.

O percurso é fabuloso, o piso é bom e no início é mais ou menos plano, seguindo sempre junto ao rio.



A paisagem é fabulosa, e do género a que não estamos habituados. Uma espécie de vale forrado com um tapete verde abundante e encostas repletas de pinheiros alpinos (do género pinheiro de natal).



Pelo caminho fomos cruzando com uns quantos velhotes. Devo dizer que por esta altura já estávamos a desconfiar que tínhamos descoberto para onde os reformados franceses vêm passar o final das suas vidas… Para aqui, para os Pirenéus. Incrível a quantidade de velhotes que se encontra por aqui, em caminhadas e a andar de bicicleta.



Os últimos 300m até ao Hotel (sim, existe um hotel à beira da cascata) são suados.

Sempre a galgar. Subimos bem, mas eu cheguei lá acima literalmente a pingar em bica.





Junto ao hotel foi puxar da máquina e aproveitar o cenário único que tínhamos à frente dos nossos olhos…



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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Sex 20 Set 2013, 17:32

É difícil descrever por palavras, pelo que deixo as fotos, que mesmo assim não fazem total justiça à grandiosidade que o local tem.





Entretanto chega o nosso amigo francês do pequeno-almoço. Passou por nós dizendo que teve de abortar a sua caminhada e vir para aqui. Parece que um guarda lhe barrou o caminho por estar demasiada neblina lá em cima.


com os seus 423m de altura, é considerada a cascata mais alta da europa

Na verdade a caminhada não acaba aqui. Para quem queira, existe acesso até à base da grande cascata. São mais cerca de 1000m custosos (+150m de desnível) por trilho estreito.

Estávamos curtos de tempo, ir até ao pé da cascata representaria pelo menos mais 1h de caminhada. Pelo que nos demos por satisfeitos. Aproveitámos para nos sentar 5 minutos na esplanada do hotel. Bebi uma garrafa de água pequena (2€!) que estava bem a precisar.



Andava por ali um cachorro de raça pequena simpático. O bicho devia ser do pessoal do hotel e andava impaciente à espreita de quem chegasse.



Voltamos para trás. O caminho de regresso faz-se muito melhor, é essencialmente a descer ou plano.





O tempo continuava nublado e fechado. A chuva parecia estar a querer engrossar.







Chegámos à aldeia, e antes de regressar ao hotel ainda passámos por uma loja de souvenirs comprar umas coisitas pequenas (aqui tem de ser mesmo pequeno, os preços são abusivos).

Já no hotel, trocamos a roupa pelo equipamento de mota. Quando estávamos a despedir da Sylvie, esta lembrou-se que havia corte de via à saída da vila de Luz-Saint-Sauveur, precisamente na direcção para onde seguiríamos. Depois de consulta na web, ficamos a saber que a estrada estaria aberta das 12h às 13h e das 14h30 às 15h… Eram agora 12h15 e ainda estávamos no hotel, dificilmente conseguiríamos chegar a Luz antes das 13h (tínhamos uns 30kms para fazer em estrada de montanha)…

Tudo bem. Vamos embora, sem stress, e logo vemos. Se não der, almoçamos por ali perto e aguardamos pelas 14h30.

Quando chegámos a Luz, eram perto das 13h, nem sequer tentámos fazer a passagem.

Tínhamos de abastecer, pelo que fomos à procura de um posto. Nesse momento passou por nós uma caravana de BMs de uma excursão organizada espanhola… Pensámos para nós - estes vão dar com o nariz na porta… Assim foi, 5 minutos depois estavam a fazer o caminho inverso. Decidiram fazer o mesmo que nós, almoçar por aqui, aguardando que a estrada reabrisse.

Depois de abastecer, estacionámos logo as motas por ali e fomos a um restaurante que havia mesmo ao lado.

No interior, tinha uma pequena pista de bowling e estava decorado ao estilo americano.

Havia menu do dia e estava dentro nosso orçamento (<15€). Para começar: salada, presunto e pão. Entretanto ficámos a saber que o prato do dia (perna de cordeiro) tinha acabado, propunham-se substituir por bife do lombo. Certíssimo... Veio para a mesa um delicioso bife com batata frita. Delicioso é uma palavra fraca, magnífico adequa-se melhor. Bife alto, suculento, que se cortava como se fosse manteiga. Não estou a exagerar na comparação. Há muito tempo que não me passava pelos dentes uma carne desta qualidade.

Devo dizer que até aqui, a qualidade e apresentação do que comemos em França fica acima da média. Os tipos aqui gostam de comer bem (em qualidade) e de forma bem apresentada.
Estivemos ali a dar ao dente sem stresses, ainda estávamos a tempo de chegar às 14h30 à saída da cidade… Mas calma, ainda tínhamos a sobremesa para degustar… Um bolo de coco denso, banhado em creme inglês que estava simplesmente fantástico… Íamos sair daqui muito bem tratados.

Pouco mais de uma hora, foi o que demoramos a almoçar, pelo que pelas 14h30 já estávamos enfiados na fila de carros para sair da cidade.

Circulação alternada a andar muito devagarinho. Também não queríamos depachar, a estrada estava mesmo muito mal tratada, toda rebentada e coberta de gravilha.
O inicio do ano foi mau por aqui, subida dos rios como há muito não se via e consequentes inundações. Passar por troços em obras foi uma constante durante todo o percurso pela montanha.

O sacana do tempo é que não melhorava. Continuava aquele capacete nubloso por cima das nossas cabeças. Como o próximo ponto de passagem estava a 2115m (Col du Tourmalet) acabámos por entrar nele. Subimos até ao topo por uma estrada de cotovelos entrelaçados no meio de um nevoeiro cerrado. À nossa frente seguia uma caravana de holandeses, às tantas encostaram para nos deixar passar.

Não se via a ponta de um corno, e foi não vendo a ponta de um chavelho que chegámos ao cimo.

Parámos no Tourmalet, mas aquilo não estava para visitas. Chuva, vento e nevoeiro.

Foi mesmo só o tempo de sacar estas duas fotos, para dizer que lá estivemos.





Foi pena, este pico é um dos mais altos da volta à França na sua passagem pelos Pirenéus, a vista deve ser tremenda.

E siga para baixo, que a menos altitude se está melhor.

Entretanto a autocaravana dos holandeses tinha passado de novo à nossa frente.

Na descida ainda fomos uns quilómetros atrás, mas o cheiro a queimado rapidamente nos convenceu a passar à frente desta e ganhar distância.

Tínhamos mais uma cascata para ver de caminho, mas dado o estado do tempo resolvemos passar, não iríamos ver nada mesmo.

Felizmente, hoje eram poucos os quilómetros para fazer. O ritmo foi calmo, até pelo estado da estrada, fazer cotovelos a subir e descer nestas condições requer alguma cautela, e a Tiger do Barradas vinha com pneus em fim de vida a atirar para o liso.

E de seguida mais um Col antes de chegar ao destino.

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Sex 20 Set 2013, 17:55

Quando chegámos ao Col d’Aspin (1489m) o tempo estava um pouco melhor (pelo menos não chovia), mas o "capacete" continuava aí, comprometendo qualquer foto de vistas.





Daí a pouco chegava a autocaravana dos holandeses…

Desta vez, encetámos conversa. Era um casal nos seus 50/60 que estava em viagem. Andavam ali um pouco à aventura. Vinham de Norte e tinham em mente descer para Sul em direcção à Catalunha e passar pela casa do Dali. Gente com boa pinta. Explicámos o que andávamos por ali a fazer, despedimo-nos e seguimos.



Estávamos a descer para o vale em direcção a Saint-Lary-Soulan, cidade onde iríamos pernoitar.

Aqui o tempo tinha melhorado um pouco. Já se notava o céu a querer desanuviar, aliás como previa a previsão meteorológica. Efectivamente este seria o nosso único dia de mau tempo.
Chegámos a Saint-Lary e tínhamos uma preocupação. Comprar vaselina para o Barradas… Perdão – comprar vaselina para os beiços do Barradas… Com o fresquinho da montanha, o homem estava a ficar com os lábios em frangalhos.

Ainda passamos pelo hotel para descarregar as coisas. O ponto do GPS estava correcto e demos com o hotel à primeira, não demos foi com a porta.
Andámos para a frente e para trás uns 10 minutos antes de dar com a entrada. Não é que fosse complicado, chegámos foi pelo lado menos evidente.

Arranjaram-nos uma garagem (que serve habitualmente para guardar as bicicletas) para meter as Tigers ao abrigo.



Não que fosse preciso, aqui não se passa nada, mas sempre ficam melhor.

Trocámos de roupa e seguimos em direcção a uma farmácia.

Lá chegados pedi vaselina para o Rui, tendo o cuidado de especificar que seria para os lábios dele… O tipo que estava a atender expressou um ar espantado, e perguntou-me se era mesmo vaselina que queria… Aparentemente aqui a vaselina mete-se noutros sítios…

Devo dizer que já testemunhei o efeito da dita na prevenção de lábios secos o ano passado em Marrocos, quando o Barradas e o Benedito já tinham chegado ao estado de ter os lábios rasgados com o calor. Em dois dias, resolveram o problema. Claro está, à custa de muita vaselina.

Saímos de lá com o produto, e o Rui tratou logo de besuntar os beiços. A coisa estava tratada, mas sem se livrar de ficar com um look de quem se mandou com a boca a um pote de mel, de tanto lambuzado que estava.

Fomos então dar uma voltinha ao burgo.



Que local tão jeitoso. Uma típica vila de montanha, mas toda ajeitadinha e organizada. Nota-se logo diferença para o outro lado espanhol.



Novamente, verificámos aqui a nossa teoria… Sabem para onde vão os reformados franceses nesta altura?... Para aqui, para os Pirenéus!… Talvez isto de Inverno anime com juventude, mas nestes meses está repleto de casais nos seus 60/70, todos com o mesmo aspecto. Arranjadinhos, lavadinhos, de óculos, elas cabelo curto grisalho, eles carecas ou de cabelo branco. É impressionante a quantidade de velhotes que se vê por aqui… Ficámos a imaginar que deverão passar as estações mais quentes do ano por aqui, em caminhadas e voltas de bicicletas, e o Inverno noutro sítio com clima menos rigoroso.

Dito isto, percebe-se que a cidade esteja a meio gás. Ainda assim demos um voltinha pelas ruas à espreita do comércio e de algum local para jantar.



Uma rotunda no centro impressiona, pela sua escultura central em forma de pinheiro, pela qual cai água abaixo.



Junto a uma igreja encontrámos um monumento de homenagem aos combatentes das grandes guerras.



O comércio aqui divide-se entre, cafés, restaurantes, mercearias com produtos regionais e lojas de roupa e equipamento desportivo.



Numa mercearia reparei que tinham deixado um pão a jeito no balcão para os pardais comerem… E lá se mandavam eles ao pãozito. Sempre é melhor do que se mandarem à mercadoria toda.





As casitas são espantosas, telhados negros inclinados, feitas em pedras e madeira. Um mimo.





Esta escultura pareceu-me curiosa… Fiquei sem perceber se o urso estaria a dançar com a criança, a abraçá-la, ou a comê-la…





Não nos afastamos muito do centro, e acabamos por identificar uma pizzaria próxima do hotel.

Parecia uma boa escolha. Tínhamos visto dois ou três restaurantes pelo caminho que anunciavam pratos regionais de Garbure e Cassoulet. A primeira já tínhamos provado, e a segunda é manifestamente um prato forte para jantar – é uma espécie de feijoada feita no Sul de França.

Ainda era cedo para jantar, de modo que voltámos ao hotel para meter a escrita em dia (entenda-se net).

Estava um calor do cacete no quarto. Nesta região não se usa o AC, só aquecimento, e parecia que estava qualquer coisa ligado. Abrimos um pouco a janela.
Copiar fotos, meter umas no facebook e seriam umas 19h30, hora de jantar por aqui.

Saímos para a pizzaria. De fora não se percebe o que é aquilo lá dentro.

Não muito grande, mas tudo muito arranjadinho (como é hábito por aqui). O tecto era rematado a gesso e palha, as paredes todas feitas de pedra. Perguntaram-nos se tínhamos reserva… Epá, olha, não... É preciso?... Arranjaram-nos uma mesita. Vieram as bebidas e um prato de amendoins… O Barradas escolheu a 4 queijos, e eu a de “chorizo”, queijo de cabra e mel.

A pizza estavam óptimas com massa "fraîche faites maison" (fresca caseira) como anunciava o cartaz na rua… Adorei o toque queijo de cabra com mel.



Emborcamos as pizzas com satisfação e ficamos por ali (a carta de gelados não nos convenceu). Estávamos bem.

Não percebi a pergunta da reserva quando chegámos. Está certo que o restaurante não estava às moscas, mas também não encheu… Deve ser protocolo.

Saímos e demos mais uma voltinha por ali para desmoer.





Estavámos praticamente sozinhos na rua, não se passa mesmo nada por aqui... Umas 22h e os velhotes já estão todos em casa.



Na verdade andava também um tipo estranho pela rua a falar alto e a tirar umas fotos. Mas este não conta, não devia ser daqui.



Ficámos sem perceber se era maluco, ou estava a falar para algum auricular...





Regressados ao hotel, ainda espreitamos as notícias e o tempo. Perfeito, confirmava-se a melhoria de tempo para amanhã.

Horas de dormir, amanhã temos uns quantos quilómetros para “calcorrear”.

continua...

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Dom 29 Set 2013, 23:01

Dia 04

Acordei depois de uma noite não muito bem dormida. O quarto estava quente, o colchão era estreito e abaulado no centro... Grande nóia.

Em compensação lá fora o tempo parecia estar a virar para melhor, aliás como se previa de véspera.

Higiene matinal, arrumamos as malas, e lá descemos com elas até à garagem onde ficaram as Tigers a pernoitar.

Quando estávamos à volta delas aparece um francês, forte, nos seus 60 que começou a mirar as “meninas” com um sorriso.

Já não me recordo como fez a abordagem ou se fui eu que falei primeiro com ele, sei que ao fim de uns segundos estávamos a falar de motas.

Pelas nossas matrículas ele tinha percebido de onde éramos, fez-me umas perguntas sobre a nossa viagem, e depois contou-me que também ele rolava de mota.
Tinha vendido uma GS há pouco, essencialmente porque a esposa dele já não queria andar de mota. No entretanto comprou uma XTZ660 Ténéré, na esperança de troca pela nova MT-09 que acabou de chegar. Mas estava de olho nas tigresas, e fez-me umas perguntas sobre a máquina.

Dei-lhe o meu feedback sincero, quase 100cv, disponibilidade de motor em baixas como poucas, confortável, fácil de conduzir, 2 anos, mais de 20 mil kms, zero chatices. Percebi logo que o tipo era informado, e que seguia as revistas. Estava muito receptivo à Tiger, e acabou por me dizer que ia ver dela proximamente.

Um indivíduo de uma simpatia e educação primorosa, que devo dizer, foi o que presenciámos em todo o lado francês dos Pirenéus por onde circulámos.

Nisto eram quase horas de pagar, a recepção abria às 9h00. Aqui como da outra vez, decidimos que tomaríamos o pequeno-almoço no caminho… Ainda bem que o fizemos, mais adiante vão perceber porquê.

Hoje o dia seria ocupado na estrada, 180kms para fazer, mas com uns quantos locais para visitar.

Primeiro ponto, os lagos do Parque Natural de Néouvielle. Durante a elaboração do traçado, às tantas ponderámos excluir esta subida aos lagos... Felizmente não o fizemos.
Subir aos lagos representa despender umas duas horas no mínimo, não ficando estes a caminho de nada. É lá ir e voltar. Dado a distância que tínhamos de fazer até Vielha, esta ida ficou dependente do estado do tempo… Quando finalmente deixámos Saint-Lary-Soulan, a perspectiva era boa. Já se via nalgumas partes o céu azul.
À saída da vila a estrada estava um pouco mal tratada, com muita gravilha, fruto provavelmente de umas recentes obras. O Barradas seguiu à frente com cuidado com os seus pneus em estado slick. Ao cabo de pouco kms tínhamos chegado ao cruzamento da estrada dos lagos. Daí, começámos a subir em direcção aos lagos.

A estrada começa estreita e enfiada na sombra do vale. Vegetação densa em redor e um piso ainda húmido que implica cautela.
Passamos por uma ponte, e logo percebemos que havia um curso de água por ali. Depois, o arvoredo espalha-se e começa-se a ver o Sol.
A estrada estava a ficar bem torcida e as vistas deslumbrantes. Estávamos a subir por uma paisagem rochosa coberta pelo habitual manto verde viçoso, tão característico daqui.
Espreitando para cima conseguíamos ver os topos escondidos por algumas nuvens baixas, dando um efeito de mistério ao cenário.
Uns quantos cotovelos pela frente, bem fechados, que dificilmente conseguimos fazer sem sair fora-de-mão. A Tiger está como um peixe na água neste tipo de traçado.
A boa disponibilidade de motor em baixa, faz com que se possa fazer cada um destes laços com segurança sem recorrer a embraiagem e raramente à caixa.
Depois de uma boa meia-hora desta estrada, a primeira paragem no lago d’Aubert.



Bem fresquinho o tempo por aqui. O sítio é magnífico, em especial a esta hora da manhã.



Uma tranquilidade profunda, com aquela extensão de água ainda a fumegar com o diferencial de temperatura.



Puxámos das máquinas para tirar umas fotos, e estivemos por ali um bom quarto-de-hora.



Lá no cimo, entre as paredes rochosas conseguia-se ver claramente a parede da barragem a montante. Já lá vamos de seguida.



Esta zona do parque encerra uma série de lagos de boas dimensões. O próximo estava na continuidade deste onde nos encontrávamos.

Tínhamos o ponto no GPS, pelo que seguimos pela estrada. Mas não por muito tempo. Logo adiante a estrada estava barrada com cancela.

Parámos, fomos espreitar e percebemos. Logo depois da cancela está um parque de estacionamento, pago e obrigatório. O acesso ao lago seguinte faz-se a pé a partir do parque. Não seria questão de não valer a pena, mas tínhamos o tempo contado e uns quantos quilómetros para fazer no dia de hoje. Fica para uma próxima, com mais tempo.

Retrocedemos caminho e subimos em direcção à barragem. À medida que se sobe a vegetação fica menos proeminente, sem que por isso as vistas fiquem mais interessantes.



A estrada continuava desafiadora quanto baste, com as suas curvas entrelaçadas e apertadas.



Quando chegámos ao cimo dos dois mil cento e tal metros, novo espectáculo magnifico.







Aqui a água está presa numa albufeira que se perde montanha adentro.



O vento frio não era forte, o que permitia vislumbrar o bonito reflexo das encostas na água quase imperturbada.



Havia por ali uns casarucos fechados que em época alta deveriam assegurar serviço de bar e restaurante.



Escusado será dizer que a vista ali de cima era fantástica, conseguindo-se contemplar o lago d’Aubert e grande parte do vale. Creio que as fotos falam por si.





Capturadas todas as imagens, foi com satisfação que regressámos às Tigers para fazer o percurso sem sentido oposto. Maravilha de estrada.



Na subida tínhamos ficado de olho num troço de vista ampla com um rio à beira da estrada a fazer uns jeitos de cascata.

Fomos descendo atentos a esta imagem para uma curta paragem para fotos. Mas quem anda na estrada sabe que o sentido em que se vai dá-nos uma perspectiva diferente do mesmo sítio, por vezes nem parece que já passámos por ali no outro sentido. Pois bem, foi mesmo assim, não conseguimos dar com o sítio... Tudo bem, já levamos aqui uma boa quantidade de postais.

Ao chegar ao cruzamento parámos junto a uma moradia grande que fazia de café no piso térreo. Já seriam perto das 11h00 e nós ainda sem pequeno-almoço… Vamos mas é tratar disso.

Estacionamos as motas junto à esplanada e entrámos. Lá dentro, os proprietários, um casal nos seus cinquenta e muitos, imediatamente nos cumprimentaram.



Espreitámos o placard que descriminava o que havia para consumo… Crepes com chocolate da casa…

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Dom 29 Set 2013, 23:28

Ui, é mesmo isso, mais um café com leite a acompanhar e tudo servido ao Sol na esplanada, se favor.

Sentamo-nos numa das mesas no exterior, e não demorou muito para que nos fossem servidos os crepes e uma enorme chávena de café.



Estava um pouco fresco lá fora, mas o Sol já batia forte, pelo que ficámos ali muito confortáveis a dar cabo daqueles fantásticos crepes.



E foram mesmo deliciosos, seguramente os melhores que comemos por estas terras.

Ainda antes de seguir viagem, cruzámos com um casal de alemães numa CBR XX que também ali pararam no café.

O tipo arranhava mal o inglês, mas conseguimos dar-lhe a dica dos lagos, recomendando a subida até lá acima.

Uma nota curiosa, o facto da senhora francesa ter vindo ao exterior se despedir de nós quando se apercebeu que estávamos de partida.

Voltámos a Saint-Lary-Soulan refazendo aquela estrada suja de gravilha, lá chegados mudámos o rumo para Sudeste em direcção a Espanha.



Começámos a subir de novo, no sentido do Col de Val Louron-Azet (1580m). A meio caminho, parámos para tirar umas fotos à paisagem no fundo do vale.







Depois no Col, outra paragem. A paisagem aqui é muito interessante. Vêem-se claramente daqui as duas encostas, de um lado Saint-Lary e do outro Génos e o seu lago, por onde iríamos passar.









No topo, como habitualmente, muito ciclista. Foram uma constante em todo o percurso do lado francês. Andámos verdadeiramente pela terra do pedal. Mas o que mais me espantou, foram as idades dos praticantes. É ver homens de barba branca e senhoras de cabelo grisalho, bem acima dos 50 a lançarem-se sem medos em subidas de 6 a 8% de inclinação. E nós a andar por ali de cu tremido, é de ficar com vergonha.





Do lado de Génos, andavam por ali um pessoal nos ares em parapente. Descemos a encosta, sempre com os fulanos por cima das nossas cabeças… A ver se não levamos com nenhum.



Lá em baixo ladeamos o lago que precede a vila. Coisa fantástica, tudo arranjadinho ao milímetro. As margens do lago estão revestidas de um relvado magnífico certo e aparado sem qualquer falha. São a essas margens que pessoal recorre para descanso e recreio.

Chegados à vila, pensámos que seria boa ideia almoçar por aqui. Os tipos almoçam cedo, e encontrámos um restaurante à entrada de Génos. Ficámos logo ali.



Casita castiça com esplanada exterior, perfeito. Fomos às hamburguesas da região. Pedi um com queijo de cabra e mel (fiquei fã desta mistura) e o Rui mandou vir um estilo montanhês.

Já referi anteriormente que a concentração de reformados por estas bandas é anormalmente grande. Tenho a minha própria teoria que a vida por aqui é sazonal. Em suma, durante as estações do ano mais propícias, os velhotes franceses deslocam-se para estas bonitas terras, para aproveitar o bom ar, fazer caminhadas e dar ao pedal. No Inverno, que por aqui são rigorosos, deve passar-se precisamente o contrário, dando lugar à “juventude” e desportos radicais.

Aí estava a excepção do dia… Uma jovem francesa a atender-nos. Vinte e muitos, cabelo curto, estilo meio-gótico, toda vestida de preto, com um piercing num local curioso. No decote, logo por baixo do pescoço tinha uma espécie de brinco cravado no peito… Pela pronúncia via-se que não seria de cá. Não tinha o sotaque característico da zona, que é semelhante ao que o pessoal tem no Sul de França, um falar cantarolado.

Vieram os hambúrgueres. Estavam assim, assim. A carne era boa, mas no conjunto, nada de espectacular. Pelo que achámos que uns crepes no final ficariam a matar.

Chegámos com Sol e saímos com ele coberto. Seguimos pelo lado contrário ao que tínhamos chegado, parando mais adiante para mais umas “chapas”.







Continuando para Sudeste, atravessámos a vila de Luchon. Bem engraçada.

Um quanto movimento por aqui, com algumas avenidas longas, a vila tem uma dimensão considerável. O próximo destino seria uma aproximação ao pico d’Aspe, alcançando a estância de Inverno de Superbagnères, a cerca de 1800m. De novo a subir.

Também aqui as chuvas fizeram estragos e novamente um troço de estrada em obras cortado.

Felizmente estavam a deixar fluir o trânsito, de modo que conseguimos passar assim mesmo. Alguma cautela na passagem da obra, com um pedaço de estrada totalmente enlameado.

Com o céu nublado, à medida que ganhávamos altitude, o tempo encobria. Felizmente nada de chuva, apenas alguma água na estrada.

Subimos aquela estrada aos esses até ao cimo da estância.



Como é normal, nesta altura estes equipamentos estão todos encerrados.



Mesmo assim é fácil imaginar esta vista toda carregada de branco.



Quase nos 2000m estava fresquinho… Demos por ali uma volta, e de tantas voltas estávamos os dois a precisar urgentemente de um urinol.



Fomos espreitar ao edifício que suporta a instância se poderíamos tratar ali da nossa necessidade, mas aparentemente estava mesmo tudo fechado, incluindo WCs.



Nisto, diz o Barradas, “Ali atrás daquela casa há ali uma casa de banho…” Estava uma casita encerrada as uns 100m complexo. Fomos lá espreitar.

E não é que havia mesmo um WC ao ar livre com vista para a montanha… Foi ali mesmo, fora de olhares indiscretos… Muito melhor… E assim se confirmou a máxima de que, quando mija um português, mijam dois ou três…



Com tudo despachado, viemos para baixo de novo por aquela estrada louca.












tudo bem aí?



Regressámos a Luchon, e saímos em direcção a Espanha.



De manhã à saída do hotel, em conversa com a recepcionista, esta tinha-nos avisado que do lado espanhol tudo mudava. Gentes, vegetação, paisagem e até a temperatura com diferença de mais 10ºC.

Estávamos a confirmar isso. O arvoredo estava a mudar de um estilo “alpino” para um estilo “ibérico”. E o tempo parecia também mais quente.

E continuávamos a subir. Sabíamos que a fronteira se situava no cimo de um Col, a 1291m.

O tempo esse continuava meio encoberto.

Chegámos então ao Col do Portillon por volta das 16h30. Aqui deixaríamos França para trás, para entrar nos Pirenéus espanhóis, mais especificamente no vale de Aran (Val d’Aran).



Estácionamos as Tiger, só para registar o momento. Por ali andavam uns quantos espanhóis a fazer o mesmo que nós, passear.



Uns velhotes que seriam daqui perto ficaram curiosos connosco, e a espanhola mais atrevida ariscou conversa. Perguntou-nos de onde vínhamos. Estivemos ali uns breves minutos à conversa. Gosto deste tipo de contacto com as pessoas por onde passo nas viagens. Para além de nos ajudar a integrar nos sítios, gosto de pensar que é também uma maneira simpática de reconhecimento. As pessoas gostam da sua terra, e acho que gostam ainda mais que os outros também a apreciem.

Despedimo-nos dos velhotes, e descemos pelo lado espanhol. Tínhamos mais 15kms pela frente até Vielha, onde iriamos pernoitar.


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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Seg 30 Set 2013, 21:11

O caminho até lá foi repartido em 9 kms de curvas enroladas seguidas de uma valente recta sempre junto ao rio Garona que nasce a Este de Vielha.

Vielha é uma cidade de montanha de tamanho moderado. Assim que se chega percebe-se que é espanhola. As casitas seguem o perfil das que vimos do lado francês, em pedra com telhados pretos empinados, mas o povo que circula na rua nada tem a ver com o outro lado.



Encontrámos o hotel com facilidade. Localização perfeita, nem muito afastado, nem muito próximo do centro. O Barradas foi à recepção fazer o check-in. Eu domino o francês, ele o espanhol, o que permite uma divisão perfeita de tarefas.

O estacionamento fazia-se no exterior em parque descoberto, pelo que em alternativa nos autorizaram a parquear as Tigras à porta do hotel. Descarregamos as malas e metemos os cadeados.



Foi assim que prendemos as Tigras, aos quadros.



Esta aprendi de um profissional do furto. As rodas, parece que se tiram com facilidade. Preso ao quadro, só rebentando com a corrente ou cadeado.

Já agora fica outra, cadeados de disco, nas duas rodas, ou preferencialmente metidos na roda de trás com direcção trancada. Parece que existe uma técnica que é meter um patim na roda da frente e carrega-las.

O hotel era espaçoso, mas o elevador nem por isso. Não foi fácil entrarmos os dois cada um com duas malas. O quarto era agradável e espaçoso quanto baste. Desempacotamos a tralha e tratamos de trocar o equipamento de mota por roupa à civil… Ah, e também de ligar a tralha dos carregadores à tomada. O Barradas teve de fazer de electricista para fazer uma puxada à tomada da televisão.





Finalmente fomos à rua, dar um giro ao local.




este deve ser primo

O tempo continuava nublado com temperatura agradável.

Descemos até ao centro, onde numa das ruas estava uma grande algazarra.



Claramente aqui o espírito é outro. Nada de reformados certinhos, bem comportados e discretos. Aqui é… Fiesta!... Juventude por todo o lado e as velhotas como as novas, arreadas de cima a baixo.

Imaginem só o que o pessoal estava a fazer para passar o tempo?

Deixo aqui uma fotografia…



Pelo que percebemos seria um "campeonato" de empilhanço de grades de coca-cola… São doidos estes espanhóis.



Um empilhador ia fazendo chegar as grades ao artista.



O camarada da foto devia ser o detentor do título… Estivemos ali um bom bocado à espera que o homem virasse as palhetas… Eu queria apanhar a queda em vídeo, mas o tipo demorou tanto que fiquei sem bateria para registar o momento.

Caminhámos um pouco pelas ruas de Vielha, que estava muito animada.





Havia ali uns carroceis e outras coisas do de feira. Deveria ser dia de festa aqui no sítio.

Passámos por uma igreja que pelo aspecto seria mesmo muito antiga.



Infelizmente estava fechada para obras de restauro.

No percurso que fizemos a pé, às tantas tínhamos um espanhol aos berros connosco.

Não nos queria por ali, estava a armar fogo-de-artifício… Bonito, esta noite vamos ter morteiros.



Depois da voltinha pela cidade regressámos ao hotel. Ainda tínhamos tempo para dar umas tecladas na net. Infelizmente o Wifi (ou Ouifi, como se diz em Espanha) tinha tido um fanico.

Bem, fomos fazer tempo para o quarto. Aproveitámos para arrumar umas coisas e ver a previsão do tempo. Tudo de bom para amanhã. Excelente!

Nisto seriam horas de jantar. Descemos ao restaurante do hotel, a sala estava meio-cheia. Algum barulho claro, não estivessem aqui espanhóis.

Sentámo-nos e fizemos a nossa selecção no menu. Dois pratos, como é costume. Para mim huevos revueltos (ovos mexidos), seguido de um lomo de cerdo (lombo de porco).

Não estando nada de espectacular, não estava mau de todo. Típica comida espanhola.

No fundo da sala estava um grupo de velhotes espanhóis a dar-lhe bem.

Alguma excursão ou viagem organizada. Eram tabuleiros e tabuleiros de comida, despejados para aquelas mesas.

Ao nosso lado estava uma mesa com três casais, que julgo serem catalães, pois falavam um raio de um dialecto que pouco se percebia. Uma mistura de francês e espanhol, mas eu só conseguia apanhar umas palavras de vez em quando, tal qual o crioulo.

Satisfeitos, regressámos ao quarto para meter o sono em dia.

Já deitados ouvimos os morteiros. Toca a dormir, que amanhã teríamos Andorra pela frente com umas 5h de condução e umas quantas e boas paragens.

continua...

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Dom 13 Out 2013, 20:58

Dia 05

Depois de uma noite bem dormida, rotina habitual da manhã.

Deixámos tudo arrumado e descemos para o pequeno-almoço já com as calças de rolar vestidas.

Na sala de refeições do hotel já nos aguardava uma copiosa refeição.
Deve ter sido provavelmente o pequeno-almoço mais abastecido que tivemos em toda a viagem. Torradas, pães, frutas, cereais, iogurte, tomate, queijo, carnes frias, croissants, donuts, outras pastelarias, e devo estar a esquecer alguma coisa… Chiça!

Os espanhóis faziam fila à frente do pão torrado e dos tomates (salvo seja). A torrada em Espanha também se come de tomatada.

Em cima do pão torrado, com os ditos cortados a meio (ouch!), o pessoal barrava o pão até ficar praticamente com a pele na mão. Depois, vai azeite e sal por cima. Obrigado, eu passo esta receita, e fico-me pelos doces.

Café é que estamos mal, era  aquela aguadilha escura espanhola a que já estamos habituados.

Comemos e repetimos. Saímos de lá bem satisfeitos.

Buscar as malas, pagar a conta e siga caminho.

O dia estava soalheiro mas a atirar para o fresco. Atestámos os depósitos à saída de Vielha e continuámos para Sudeste.

9h35 e estávamos despachados e a rolar. Seguimos pelo Val d’Aran atravessando umas quantas aldeias pequenas engraçadas em tudo semelhante a Vielha. Casas de pedra de telhados negros a pique.

Depois começámos a subir até ao pico de Port de la Bonaigua até uns 1600m de altitude.

E se estava fresco cá em baixo, lá em cima estava um pouco mais.

Ao chegar ao cimo, fomos recebido por esta comitiva.



Estes amigos são bem simpáticos e engraçados com as suas fartas crinas e aspecto arredondado. Estão relativamente habituados à presença humana, e não se negam ao contacto, embora também não o procurem.



Passaram por nós e seguiram para o pasto. E pasto não falta por ali.





Parámos as motas, e fomos espreitar em redor.



Tudo desértico, como todas as estâncias por onde passámos durante a viagem. Isto deve ser animado de Inverno, mas nessa altura não se deve andar por aqui de mota.





Andavam uns tipos pendurados em reparações dos teleféricos. Já se estava a preparar a época.





Voltámos às Tigers e continuámos pelo outro lado da encosta.

Começavam os laços fechados. A caminho passámos por um grupo de Tigers 800 que se encontravam estacionadas à beira da estrada. Não chegamos a parar mas fizeram-nos uma festa ao passar. Julgo que seriam franceses.

Viemos por ali abaixo com calma a curtir aquela maravilhosa estrada. De torcida passou a uma extensa recta com curvas redondas de boa velocidade. Adoro este tipo de percurso que nos proporciona uma estrada fácil (mas nem por isso menos divertida) e não nos prende demasiadamente o pensamento na condução. Sobra-nos uma reserva para apreciarmos devidamente o local por onde passamos. Gosto mesmo deste tipo de estrada.

Às tantas a estrada enfia por um vale, com uma encosta à nossa direita. Do lado esquerdo conseguíamos ver uma pequena albufeira mesmo junto à estrada.
Muito bonita a paisagem por aqui. Rolámos um bom bocado assim até sair dos Pirenéus. Depois começámos a trepar de novo o monte.

Estrada de piso razoável, enrolada com curvas estreitas, mas sem laços. O ideal para se fazer de mota. Fomos soltos sem exageros, mas a curtir bem aquele traçado.

Aqui a paisagem é desafogada. Já não se vêem aqueles pinheiros alpinos espalhados pela encosta. É serra ibérica, daquela a que já estamos habituados em Portugal.

Subimos um bom bocado até Port del Cantó (1718m de altitude) para aí fazer uma paragem.



Nesse momento, adivinhem quem chega? Os nossos amigos holandeses da autocaravana. Seria a última vez que os iríamos encontrar, eles seguiriam para o Sul de Espanha e nós íamos rumar para Norte, de novo para os Pirenéus, para Andorra.





Não demorámos por ali muito. A vista é boa, mas não particularmente espectacular. Voltamos ao asfalto desta vez para fazer a outra encosta do monte a descer.

Do outro lado, o traçado era mais agressivo e divertido. Muitas curvas encadeadas, alguma a requer algum cuidado.

O Rui seguia à frente, e às tantas numa dessas “chicanes” ficámos separados por um daqueles pequenos autocarros. Estávamos afastados uns 100 ou 200 metros, e eu atrás do mini-bus sem visibilidade. O Rui ia a controlar o trânsito e deu-me o OK pelo intercomunicador. E banzai! Lá vou eu! Rodo o punho de acelerador, e sem reduzir mudança ponho o Tigre a rugir. Este motor é fabuloso, não se nega a nada, em 20.000kms feitos devo ter recorrido uma ou duas vezes à caixa para fazer ultrapassagens.

O Tigre enche o pulmão e faço a curva toda fora de mão com visibilidade zero. O tipo do autocarro deve ter ficado de boca aberta a pensar que devia estar possuído por algum demónio.

Prosseguimos com a descida, por aquelas curvas malucas até lá abaixo. Um mimo. E estávamos finalmente a aproximar de Andorra.

Estávamos a prever uma passagem tranquila pela fronteira. O difícil não é entrar, é sair. E assim foi, entrámos sem paragens em Andorra.

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Última edição por Cobra em Dom 13 Out 2013, 21:33, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Dom 13 Out 2013, 21:09

Depois começa a confusão. Muito carro, muita scooter. Tínhamos um ponto de paragem no GPS, uma espécie de miradouro sobre Sant Julía del Lòria.





De facto aqui a vista é boa.



Continuámos em direcção a La Vella. Com o Sol quase a pique, o tempo estava a aquecer.

Em La Vella uma confusão infernal. Lá encontrámos a saída para Arcalís.

De La Vella a Arcalís a estrada é fantástica. Atravessam-se três ou quatro pequenas aldeias e depois a paisagem fica novamente selvagem e natural. Volta-se à atmosfera dos Pirenéus.



Já próximo do destino começa a subida em caracol. Mas a estrada é larga e conseguimos fazer os laços sem grande stress.



Chegámos ao topo de Arcalís, uma estância de Inverno, fechada por esta altura, claro está.





Batia um vento fresco desagradável. Nem sequer tirei o capacete.





O local deve ser bem animado nos meses de Inverno.





Existe uma estrada que continua até mais adiante, e que nos leva até próximo de uns lagos.



Decidimos não fazê-la, pois ali o alcatrão acaba logo e não tínhamos muito tempo hoje para aventuras. Ainda por cima, estavam horas de almoçar.



No caminho tinha reparado em três ou quatros restaurantes com menus a preços razoáveis. Voltámos para trás e fomos atentos no caminho às propostas.

Acabamos por parar num local com duas opções. Em cada lado da estrada anunciava refeições por menos de 15€. Optámos pela casa que nos pareceu mais jeitosa. E não há dúvida que foi uma boa escolha.



A casa tinha uns quartos por cima, e fazia função de hotel-restaurante. O interior era agradável, e a sala tinha janela em todo o seu redor.
Ficámos numa mesa junto à janela com vista para o exterior.

Veio uma senhora atender-nos dos seus cinquenta e poucos, e percebeu logo que éramos portugueses. Curiosamente, também ela, de Trás-os-montes… E o marido de Benavente, que era o cozinheiro. A comunidade portuguesa por aqui é grande, e este casal já por cá estava emigrado há muito tempo.

Menu de dois pratos, com uma ementa claramente influenciada pela gastronomia lusa.

Mais ou menos ao nosso lado, estava um casal espanhol nos seus entas. Os dois pareciam estar maravilhados com a comida… Bom sinal.

Para primeiro prato foi mais precisamente o que se vê.



Uma delícia, e algo que não nos é estranho. Uma roupa velha (migas de batata e couve) com uns pedacitos de entremeada e chouriço de sangue.

Estava divinal… E logo de seguida veio um belo bife com molho de pimenta.



Igualmente óptimo. Os produtos eram excelentes e o cozinheiro tinha jeito para a coisa, não fosse ele tuga.

Os espanhóis ao nosso lado, quase que lambiam os pratos. Tenho impressão que mandaram vir um pouco de tudo da ementa. O fulano de vez em quando até cantarolava. Estava-lhe a cair mesmo bem.

Para acabar, eu escolhi um pudim (daqueles caseiros, mesmo feitos com ovos) e o Barradas foi para a “crema catalana”, que é o mesmo que dizer leite creme, tudo caseiro.

Ficámos bem cheios com este fantástico almoço, excelente escolha. À medida que a senhora nos servia, íamos falando com ela. No final demos os parabéns ao chefe, e seguimos o nosso destino.



O tempo estava agradável. Sol com céu azul e algumas nuvens. Não muito calor, nem muito frio. Antes de regressar a La Vella, desviámos para Ordino. Mais adiante parámos num miradouro com umas curiosas esculturas.



Um raio de uns canos enfiados no chão, que quase pareciam uns totens. Trata-se de uma escultura de arte contemporânea conhecida por “Estructuras Autogeneradoras” e segundo o seu autor (Jorge Dubón) simbolizam as forças geomagnéticas da Terra.



Sou um tipo muito prático e até deixava aqui a minha opinião sobre o que acho da maioria da arte contemporânea, mas provavelmente não iria vos interessar…



Vou é vos dizer que a vista do miradouro que há uns metros mais adiante é soberba, directamente sobre Canillo.










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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Dom 13 Out 2013, 21:31

Regressados ao asfalto parámos de novo as motas uns metros mais adiante para mais umas fotos, aproveitando a altura a que estávamos para a vista sobre Canillo.





Descendo, passaríamos por Canillo. O Rui tinha metido umas voltas no trajecto para nos fazer passar por dentro.

Saímos da estrada principal e enfiamos por uma secundária. Passámos por um polícia que parecia estar a querer fechar uma cancela atrás de nós… Perfeito, já passámos.
Uns metros à frente, demos com outra, mas fechada… Boa… Estrada inclinada a descer e uma cancela à frente.

As motas passavam pelo meio, mas sem as malas laterais. Para dificultar ainda mais, estava um autocarro encostado à esquerda logo a seguir às cancelas. Portanto teríamos de passar de esguelha pelo meio das ditas. O Rui estava à frente, seria o primeiro a passar. Estacionei a Tiger e fui tirar uma mala à mota do Barradas. Com calma lá passou.
Agora sou eu, mesma coisa. Tira mala, passa com cuidado, e estávamos os dois do outro lado da cancela, sem percalços. Situação estranha esta. Aparentemente aquele bocado de estrada fecha ao fim do dia… Enfim, siga para bingo. Agora é descer até La Vella e encontrar o hotel.

Novamente no meio da confusão, demos facilmente com o hotel. Esta noite as Tigers não iriam dormir ao relento. As garagens do hotel ficam nas traseiras do edifício, mas primeiro temos de ir à recepção. Depois de tudo acertado, demos a volta ao prédio e entrámos na garagem do hotel. Estacionámos as motas num cantinho e arrancámos dali com as malas pelo elevador. As instalações eram fantásticas. Hotel central, quatros amplos com aspecto renovado. Boa pinta.

Ainda tínhamos tempo para ir às compras. Trocámos de roupa e viemos cá abaixo.

Confesso que não sou um grande frequentador de Andorra La Vella. Compras e neve não é coisa que me fascine, prefiro Sol e passear. Mas ir a Andorra e não passar pelas lojas, é como ir ao Porto sem ver o Douro, ou a Lisboa sem ver o Tejo.

Seriam umas 17h30 e estava algum povo na rua. Vê-se muita loja de electrónica por aqui. Mas do que vi, sinceramente é preciso estar por dentro dos preços para ver se é efectivamente bom negócio. É certo que os preços são atractivos, mas não vi por ali nenhuma diferença particularmente espantosa. Talvez há uns anos atrás a coisa justificasse, mas hoje em dia com a facilidade de se comprar online fora e entrega à porta, acho que perdeu o encanto. Às tantas parecem mais lojas de chineses.



Andámos por ali nas calmas rua fora. Eu fui tirando umas fotos aqui e ali.



La Vella não tem nada de especial como cidade, à excepção talvez do edifício das termas que é curioso, por onde desta vez não passámos.



Às tantas entrámos numa loja, que à porta exibia uma série de doces em embalagens tamanho XL… Coisa boa.



Mas não era só, também havia ali muito álcool. E isso despertou a atenção do Barradas que se aproximou das garrafas de whisky.

Tudo estava a bom preço e em tamanhos a que não estamos habituados… Mas faltava ali um Famous Grouse (passo a publicidade) disse-me o Rui.



Havia ali uma senhora que logo nos disse que isto eram as amostras, nos pisos superiores havia mais. Na verdade estávamos num daqueles centros comerciais de vários pisos ao estilo espanhol. Vamos lá a isso então, que o homem precisa de combustível.

Descobrimos o sector das bebidas, e Jesus, o que havia ali de carburante. O Rui trouxe duas garrafas para oferta, uma das ofertas para ele próprio.

Eu passei pela secção de perfumaria e trouxe de lá um frasquito. A diferença neste tipo de produtos nota-se bem. No perfume seriam talvez uns 30€ de diferença.



Mais uma voltinha pelas ruas, e já estava o Sol a querer esconder-se.





Andava à procura de um filtro fotográfico, que acabei por encontrar numa destas lojas de electrónica. Mas o tipo teve azar comigo. Estava por dentro dos valores, e o que ele pedia não justificava a compra (ficava ao mesmo preço). Ficou lixado comigo, disse-me que o preço era irrecusável, e que quando não agrada o preço, é porque na verdade não se quer comprar. Expliquei-lhe que arranjava pelo mesmo valor em Portugal, e que portanto não justificava levá-lo de tão longe. Não acreditou, disse-me que duvidava. Neste momento devia ter-me calado, agradecido a simpatia e saído porta fora, ou então simplesmente com tranquilidade que se exige, mandá-lo à ao raio que parta. Não sei porquê, teimei com ele que efectivamente conseguia arranjar por aquele valor, e ele continuou a insistir que não… E ficámos assim… Grande boneco este fulano.

Regressados ao hotel, ainda havia um bocadito de tempo para copiar as fotos para o portátil e actualizar facebooks.

E o Rui estava felicíssimo com as suas novas aquisições.



O jantar estava incluído na estadia e era servido em modalidade de buffet no restaurante do hotel.

Desde o almoço que tinha ficado enfartado em comida, com um certo mau estar. Para não estragar mais a coisa, não abusei. Parece que estava a adivinhar o que vinha aí.

Jantar acabado, recolhemos à habitação para mais uma tecladas na net. Entretanto começámos a olhar o trajecto para o último dia. Para evitar o martírio da autovia que liga Madrid à fronteira, começámos a ver alternativas.

No decorrer do passado Iron Butt (http://www.comandopadeiros.org/t1532-iron-butt-cu-de-ferro-iberico-a-padeiro-15-16jun2012), fomos obrigados a fazer um desvio da A5 por um derramamento de carga na via. Por essa altura apanhámos uma nacional que nos fez passar por uma ponte antiga sobre o Tejo, e depois seguir uns dois ou três quilómetros ao lado deste. Procurámos esse troço e depois encontrámos ali umas voltas em redor disso, de forma a andarmos perto do rio. Vamos lá dar uma espreitadela nessa zona, sem comprometer muito o tempo. Distrai um pouco daqueles quilómetros entediantes de autovia.

E estava na hora de encostar a cabeça ao travesseiro para o merecido descanso. Achava eu…

Pelas 3h00 da manhã o meu mau estar transformou-se numa valente dor de barriga com C…

Daí em diante passei a noite levantado a caminho do WC… Aparentemente só eu acusei o tranco, o Barradas continuava a dormir o sono dos justos.

Não consegui pregar o olho. Assim se passou a noite, e pela manhã temos uma porrada de quilómetros para fazer… Está bom, está.

continua...

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 06 Nov 2013, 00:43

Ainda falta o desfecho da crónica, eu sei... não está esquecido!

Fica no entretanto um trailerzito do que está para vir, a minha primeira vídeo-crónica em FullHD (de muitas espero)...
Para ver no vimeo (sigam o link) em toda a plenitude da sua definição e pleno ecrã de preferência... Wink

https://vimeo.com/78682696

Cumps!

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Ter 03 Dez 2013, 00:06

Dia 06

É para levantar de manhã?... Não fiz eu outra coisa a noite toda.

Este meu desarranjo intestinal deixou-me de rastos. Mas o que tem de ser, tem muita força, e hoje tínhamos de sair de Andorra e seguir para Madrid.
Higiene matinal, um jeito na tralha, e descemos para comer alguma coisa. Café para mim e pouco mais que por hoje não quero "borrar mais a pintura"... literalmente.
O pequeno-almoço era farto e bruto do tipo americano ou melhor continental, este é o termo certo. Pão, bolos, fruta, ovos mexidos, carnes frias e quentes, um fartote…
Pagámos a conta e saímos com as motas. Na rua estava fresco. O vale de La Vella estava ainda na sombra. Rumámos para Sul em direcção à fronteira.





Ainda em Andorra abastecemos as Tiger até ao gargalo, ao preço a que está o precioso líquido (cerca de 1,20€) era burro não fazê-lo.
Tinha combinado com o Rui de levar uma das suas duas garrafas de whisky. Isto para evitar chatices à saída. O limite por pessoa é de 1,5lt para bebidas com graduação alcoólica superior a 22% (http://visitandorra.com/es/el-pais/comprar-en-andorra/). Ora duas garrafas grandes de 40 e picos % cada uma não se livraram com certeza de ser taxadas. A passagem foi pacífica, nem sequer nos pararam, passámos tranquilamente.

Saindo do vale encontrámos o Sol. Céu limpo, um excelente dia em perspectiva. Acabámos por ter sorte com o tempo, tirando aquele dia mais cinzento entre Gavarnie e Vielha, o clima esteve agradável e constante, o que não é sempre garantido por aqui.





O Rui tinha encontrado um traçado alternativo à autovia, uma estrada entre Coll de Nargó e Figols de Tremp bem sinuosa por meio de um cenário interessante. Esta é uma das vantagens de se planear a viagem com antecedência, permite-nos estudar o terreno e não correr o risco de passar ao lado das coisas interessantes.



E raios, que estrada infernal (no bom sentido). Fomos durante uma boa hora por uma estrada estreita que ora subia, ora descia pela serra e que parecia não acabar mais com curvas. A paisagem era muito semelhante às nossas serras do interior. Encostas cobertas de arvoredo cerrado. Não fosse eu não estar nos meus melhores dias e aquele percurso teria sido eufórico. Fomos a bom ritmo sem exageros, a velocidades que o traçado permitia. Confesso que ao cabo de meia-hora disto já ia farto daquilo. O raio de uma dança que não terminava. Mais uma descida ao “esses” e finalmente alguma estrada a direito e logo de seguida passagem por Tremp. Estávamos a sair da serra.



E começámos a subir de novo. Agora com o Sol empinado e um pouco mais de calor. Parámos num miradouro que encontrámos de caminho, no Coll de Montiloba a 1080m de altitude.





Daqui avista-se muito bem Fígols de Tremp.



Enquanto por ali estávamos chega um casal alemão cada um na sua montada. Ele numa KTM SMT e ela numa mota de enduro. Ele não era baixo, mas ela era mais alta que ele. Aproximaram-se das Tigers, o tipo era simpático e trocámos umas palavras. Estava interessado numa Tiger, e rapidamente abriu o casaco para mostrar uma t-shirt da Triumph que tinha por baixo. Em casa, tinha uma Speed Triple. Depois disse-nos que estava a pensar comprar umas Tigers, que a SMT era um pouco viva de mais para estas andanças turísticas… Demos-lhe o nosso feedback, mas pela conversa deu para perceber que o tipo já estava convencido.



Despedimo-nos e continuámos o nosso caminho que nos levou a uma região curiosa. Zona agrícola de planícies e forte actividade pecuária que se fazia bem notar por cada aldeia que a passávamos. Muito gado por aqui.
Os vilarejos eram feios que nem sapos. Umas casitas mal amanhadas algumas por acabar, sem reboco ou por pintar. Ao cabo de passar umas quantas aldeias, percebe-se que não é defeito, é feitio. É assim a arquitectura da região. Para trás tinham ficado os chalés de telhados em ponta, aqui trabalha-se no campo, as necessidades são outras. Fizemos uns quilómetros assim, onde o estrume ou se via na estrada, ou se sentia no ar.

Ainda antes de apanhar as autovias em direcção a Madrid e de passar por Huesca passámos por um local curioso. Um troço curto de estrada que ladeia o rio Ésera . Um pedaço de caminho bem interessante enfiado numa espécie de garganta de rio.



Tivemos de parar para capturar umas imagens. Não ficasse tão longe, seria uma zona para regressar e explorar.





A estrada seguia afastando-se do rio, e mais adiante depois de passar ao largo de Zaragoça entroncámos na autovia. Daqui até a Madrid aguardavam-nos pouco mais de 300kms monótonos em velocidade de cruzeiro.
Acabámos por ir andando e já foi tarde quando decidimos encostar para almoçar… Eu nem queria saber de comer. Estava cansado, desconfortável mas com a dita situação controlada. Estava com receio que comer perturbasse alguma coisa. Mas bom, uma pessoa tem de se alimentar.

Parámos numa daquelas casas enormes que serve de apoio aos camionistas. Estacionámos as Tigers debaixo do alpendre e entrámos. A primeira sala estava reservada para petiscos ou "tapas" como por aqui se chamam. A segunda sala destinava-se a refeições ou "raciones". Fomos para a segunda sala, e ficámos logo de olhos em bico.
Lá dentro, numa divisão ampla estavam dispostas umas série de mesas com pessoal de trabalho a almoçar. Ao balcão estava um tipo novo, alto, com formato de armário. O tipo era mesmo grande, e o facto de estar a vestir um tamanho abaixo do que deveria exagerava mais o efeito. Junto dele estava uma jovem alourada, em cima de uns tacões que a faziam crescer para um metro e noventa. Com uma mini-saia (mais mini que saia) exibia uma bonita tatuagem num pernão que não deixava ninguém indiferente. Sentámo-nos e veio logo a "pequena" ter connosco. Aqui reparei melhor nas feições. Bonita com feições pouco espanholas,cabelo curto molhado, olhos cinza azulado, carregada de pintura (como é costume das damas por cá) e com uma argola no nariz… Bolas, o raio da argola é que não ficava ali bem… A rapariga estava a tratar dos pedidos. Pedimos um menu cada um. Optei pelo creme de verduras seguido de frango no forno. A moça reparou na minha câmara (sem segundas intenções, tá?) que costumo levar montada (sem malícia, ok?)... no capacete, e começou-me a fazer perguntas, sobre preços e tal. Ficámos a perceber que ela e o marido (o "gigante" ao balcão) pertenciam a um MC de ferros. Actualmente estava sem mota, só o marido é que rolava numa belíssima Rocket III que por acaso já tínhamos avistado lá fora. A comida estava na média, nem boa, nem má, antes pelo contrário.

E siga caminho que se faz tarde. Mais umas centenas de quilómetros a direito até à capital espanhola.

Estava completamente estourado e foi com algum custo que cheguei ao destino. Em Madrid, optámos por ficar afastados do centro num hotel que já conhecíamos. Bom preço, boas instalações e garagem para ficarmos descansados com as Tigresas. O Barradas foi à recepção fazer o checkin enquanto fiquei no passeio a olhar pelas motas. Daí a pouco o rapaz vem sai de lá todo encavacado... O Rui tinha-se enganado no dia das reservas, marcou-as para a véspera. Dado se tratar de uma reserva on-line, o valor já tinha sido debitado, cabendo-nos agora apenas fazer nova marcação… Só lhe disse: "Ó pá, se essa for a chatice da viagem estamos muito bem!…" Vamos mas é descarregar as burras que preciso de ir ao WC… Deixámos as Tigers na garagem e subimos aos aposentos. Os quartos parecem ter sido renovados e modernizados, boa pinta.

Chegamos ainda com luz do dia e não fosse a minha má disposição ainda teríamos dado uma volta ao centro. Mas estava mais para encostar que para passear.
Ficámos ali um bocado até à hora de jantar e descemos à rua para tratar da barriga... Quer dizer, eu fiquei pelos líquidos, achei que a coisa ainda não estava capaz. Não fomos muito longe, só até ao Burger King da esquina, que tinha um movimento incrível. Enquanto ali estivemos deu para observar a grande comunidade Sul-americana que vive em Madrid. As feições com características índias não enganam. O Barradas comeu uma hamburguesa típica, eu deitei abaixo meio-litro de Ice Tea e fiquei-me por ali. Voltámos ao Hotel e depois de umas tecladas na net seria hora de dar descanso aos ossos. Amanhã ainda temos um bom bocado de estrada até casa, a ver se tenho uma noite mais descansada.

continua..." />

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Última edição por Cobra em Qua 04 Dez 2013, 22:12, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Ter 03 Dez 2013, 23:41

Dia 07

Mais um dia mais umas “tostadas” pela manhã. Fomos relativamente rápidos a arrumar a tralha. Tomámos um bom pequeno-almoço, ainda assim menos impressionante que na véspera. Eu passei melhor a noite, a situação parecia estar a estabilizar. Pagamos a conta, albardámos as Tigers e saímos de Madrid. Apanhámos um pouco de trânsito nos limites da capital antes de finalmente entrar na A5 que nos conduz até Badajoz. E que monumental seca é fazer a autovia, são quilómetros e quilómetros a direito sem nada de jeito para ver. Para atenuar este efeito tínhamos metido umas voltas que nos levariam até às margens do Tejo. Foi um troço que descobrimos durante o Iron Butt do ano passado quando nos obrigaram a fazer um desvio. Um pouco antes de Navalmoral de la Mata saímos então da autovia em direcção ao Tejo. Passámos por uma zona rural árida fazendo um percurso agradável até chegar à albufeira de Valdecañas, e que surpresa agradável.



Parámos na outra ponta junto a umas ruínas romanas defronte ao rio. Local muito interessante, nem que seja para tirar umas boas fotos.





Seguimos caminho, ainda pelo interior e reencontrámos o Tejo mais adiante na barragem de Valdecãnas que cria a albufeira.





Queimamos ali uns três quartos de horas, que para mim valeram bem a pena. Há ali uma região para explorar, aquele percurso ao longo do Tejo parece ser bem interessante.





Finalmente regressámos à A5 mais adiante, sem antes atravessar novamente o Tejo.





Daí em diante foi rolar em velocidade de cruzeiro até Badajoz.

Durante o caminho todo sempre que passávamos por TIRes portugueses fazíamos-lhes um cumprimento. A maior parte devolvia, outros nada, provavelmente não estariam atentos às nossas matrículas. É algo que sabe bem, no exterior encontrar patriotas nem que seja na estrada. Talvez seja aquele nosso sentimento patriótico que valorizamos sempre mais quando saímos do país.

Chegados a Badajoz, último abastecimento e aproveitar para comer qualquer coisa.



Almoço no tasco camionista da zona. Lombo de porco, ovo e batata frita, siga Em pouco tempo estávamos de regresso à estrada, e logo depois entrávamos em Portugal.

Sempre por nacionais, que são boas por aqui, fomos até Vendas Novas em ritmo calmo e descontraído. O bom tempo que no acompanhou desde Madrid parecia se manter até ao fim da viagem.

Metemo-nos na A6 e parámos na estação de serviço antes da Marateca para despedidas.

Ao atravessar a fronteira ganhámos uma hora com a diferença horária. Eram 17h00 em Portugal e estávamos a 60kms de casa.
Cansados mas satisfeitos e com a cabeça cheia de boas imagens… Um pouco mais de 3000kms que valeram mesmo a pena. Mesmo que destes 2/3 sejam só para lá chegar e voltar, aqueles 1000kms por aquela magnífica cordilheira foram inesquecíveis.
A estrada, a paisagem e as gentes tornam aquela região única. Nada tem a ver com os Alpes e muito menos com os Picos. O verde aqui é outro, as pessoas aqui são diferentes e as estradas são maravilhosas. Esta viagem encheu-me mesmo as medidas.

Talvez por estar habituado aos “nuestros hermanos”, o que mais gostei foi sem dúvida do lado francês. Parece inacreditável mas de um lado ao outro tudo muda. As pessoas, a paisagem, e até a temperatura. Em França predominam os pinheiros alpinos, a relva viçosa, as aldeias limpinhas e todas arrumadinhas, os ciclistas e os casais de velhotes que vivem por cá, todos muito educados e parecidos uns com os outros. Em Espanha tudo é mais selvagem, a paisagem menos homogénea, as aldeias menos arranjadas e mais saloias, e o povo na rua com mais folia.

Tudo correu na perfeição, sem percalços nem sustos. Mas também com a companhia que tive nem estava à espera de outra coisa. Quando se anda assim na estrada com uma relação de confiança tudo fica mais simples e tudo corre melhor. Acabamos por olhar um pelo outro, e não me estou a lembrar de outra forma de viajar onde se possa desfrutar do mesmo nível de companheirismo. Já são várias aventuras em duas rodas, muitas histórias para contar e uma batelada de quilómetros juntos por essas estradas fora. Mas nunca é demais agradecer a boa companhia do Rui Barradas.

E as Tigers… Bem, mas ainda há dúvidas? É preciso mesmo dizer de novo a maravilha que são? Wink



Fim!

ps: a crónica acabou, mas ainda há-de sair o filme Wink

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 04 Dez 2013, 10:00

Boas.

Muito fixe sim senhores! Very Happy  Belas paisagens por aquelas bandas.

Cumprimentos
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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 04 Dez 2013, 11:55

Valeu a pena sem dúvida a espera pela cronica completa onde relatas e bem a experiencia da viagem aos Pirenéus Wink 

Venha o vídeo e claro, obrigado pela partilha cheers 

PS: A foto no túnel foi tirada com a GoPro ou a máquina fotográfica normal?

Abraço
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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 04 Dez 2013, 14:29

Viva,

Tannnttto quilometro e do bom, finalmente uma referencia a um monumento magnificente!!!!!

Cobra escreveu:


Ficámos a perceber que ela e o marido (o "gigante" ao balcão) pertenciam a um MC de ferros. Actualmente estava sem mota, só o marido é que rolava numa belíssima Rocket III que por acaso já tínhamos avistado lá fora.
E nem uma foto... Evil or Very Mad
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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   Qua 04 Dez 2013, 22:07

Rik, sim foi tirada com a GoPro, essa e todas as que captei em andamento.

Desde que vi a máquina fotográfica do Benedito a voar à minha frente quando estávamos a chegar ao deserto em Marrocos, que não me atrevo a tirar fotos em andamento com máquinas fotográficas de mão.

António, o dono era grande e a mulher dele jeitosa, não arrisquei a captar nenhuma imagem para não criar confusão Smile

Cumps!

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MensagemAssunto: Re: Rota TransPirenaica #2013   

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Rota TransPirenaica #2013
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