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 Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)

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Cobra

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MensagemAssunto: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Seg 05 Nov 2012, 20:53

Pontapé de saída da crónica desta padeirada de 4 dias...

Primeiro os mapas.





Depois os números.

Track: http://www.gpsies.com/map.do?fileId=ewlqlgxzocpzgpbc

Inicio:01:11:2012 6:32:15
Fim: 04:11:2012 17:26:46

Distância total percorrida (GPS): 1274.13kms

Tempo Total: 82:54:31 (Andamento: 23:18:02 + Paragens: 59:36:29)

Altitude Mínima: 0.00m
Altitude Máxima: 1188.90m

Velocidade Média (andamento): 54.68km/h

Distribuição de velocidades:
0-60km/h: 19.7%
60-100km/h: 59.9%
100-140km/h: 20.3%
+140km/h: 0.1%


Cumps!

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Cobra

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Qua 07 Nov 2012, 00:14

Então cá vai o primeiro dia de crónica...

Dia 01, Lisboa - Arcos de La Frontera.

O Rui andava com vontade de arejar a cabeça, e em conversa lançou-me a ideia de reeditar um percurso da padaria já feito há uns anos pela zona do Alto Douro e Trás-os-Montes, com o nome Rota das Aldeias Perdidas. Fiz esse passeio, foi memorável, sobretudo pela belíssima região que nos revelou. Seriam algo à volta dos 1500kms para serem feitos num mínimo de 4 dias.

Eu estava disposto a isso, mas entretanto saltou para a “mesa” outra ideia ainda não concretizada, algo no mesmo formato mas pela zona do Minho e Gerês com uma pequena incursão pela costa oeste da Galiza. Por uma questão de prioridades e porque o Douro se faz melhor em Primavera florida, recuperou-se a ideia do Minho.

Começámos a olhar para datas, e efectivamente até ao fim do ano só havia uma capaz de encaixar 4 dias de “cu tremido”, o fim-de-semana de Finados, de 01 a 04 de Novembro. Estávamos os dois alinhados, em particular no que toca a não apanhar chuva, assim, enriquecemos as duas propostas com mais duas alternativas, Sul de Espanha (Andaluzia) e Parque Natural do Alvão, este último para fazer num formato de dois dias num qualquer fim-de-semana que o permitisse. A opção de Sul de Espanha estaria guardada para segundo lugar, no caso de estar agreste a Norte.

Finalmente, não sendo possível sair no fim-de-semana grande, sobraria o Alvão para fazer no primeiro fim-de-semana sem chuva. O Rui tratou dos trajectos a Norte, e eu tratei de traçar percursos para o Alvão e Espanha. Estive precisamente de férias em Agosto pela Andaluzia, e assim que de lá vim, meti logo na cabeça que tinha de lá voltar, mas de moto! Não foi portanto difícil idealizar um percurso de quatro dias por aquela bonita região. O factor financeiro foi levado em conta, claro! Contas feitas, pelo Minho, Douro ou Espanha, os custos eram semelhantes. Os preços de estadia são muito iguais, e o que se poupa em refeições por cá, poupa-se em gasolina por Espanha. Deste modo, a estratégia estava acertada, só nos restava anunciar o passeio e ir espreitando as previsões do tempo, sempre muito instáveis nesta altura do ano.

O São Pedro não estava a querer colaborar, e a Norte reservava-nos quatro dias de chuva. A Sul parecia estar melhor, temperaturas mais amenas e pelo menos dois dias sem água. Apontámos a mira para Espanha e avançámos com as reservas. De véspera, apenas estavam anunciados 14mm de chuva com trovoadas para Sábado, e menos de 10mm de aguaceiros para Domingo. Achámos que estas previsões eram razoáveis e não seriam impedimento para sair de casa.

5 e um quarto de Quinta-feira de manhã e já estava com a Tiger na rua carregada… Meia-hora chegava para ir de casa à estação de serviço do Fogueteiro, onde me aguardava o Barradas… Ena, vou cumprir o horário!... Liguei a Tiger, sentei-me de cima, engato, e primeira e aí vamos nós… Levanto o pé para a segunda… Levanto o pé para meter a segunda… Levanto o pé para engatar a segunda mudança… Nada, não havia segunda… Boa!... Estava o selector de mudança puxado para cima, não conseguia engatar qualquer mudança para cima. Andei a limpar o pinhão de ataque no fim-de-semana passado e claro, o reajuste do selector de mudanças a olho só podia dar raia!

Puxei de uma chave de boca, e lá dei um jeito para baixo. Um centímetro foi o que bastou para conseguir de novo operar a caixa… Ena, já não vou cumprir horário…

Com cerca de 10 minutos de atraso, ainda era de noite quando cheguei ao ponto de encontro onde já se encontrava o Barradas. Ainda deu para acertar a pressão dos pneus, e metemo-nos a caminho. Estava um frio do caneco, e o Sol começava a espreitar timidamente no horizonte. Seguimos A2 abaixo até Grândola. Por uma ou duas vezes foi me dando o sono, nada de preocupante, mas o suficiente para não ir confortável. Finalmente saída para nacional, e a coisa melhorou, num ritmo menos monótono e cenário mais interessante!

Parámos numa aldeia assim que vimos o letreiro do multibanco. O Barradas precisava de dinheiro, e já se bebia qualquer coisa para aquecer a garganta. Dar com o multibanco não foi fácil, mas lá conseguimos. Já café não havia, metemo-nos outra vez à estrada.



Encostámos logo depois em Beringel num tasco à beira da nacional. Um galão para cada um e umas palavras simpáticas trocadas com o dono do café. Já de saída cruzámos com um velhote castiço. Quando digo castiço, não lhes estou a fazer justiça, o homem era o supra-sumo da castiçe, o verdadeiro Don Juan da terra! Um modernaço que se fazia deslocar numa lambreta eléctrica. Com um casaco de flanela aos quadrados envergava uns fabulosos óculos da moda, provavelmente retirados de alguma revista Marie Claire. Ao pescoço uma corrente com uma série de penduricalhos, em pchibeque certamente, mas nem por isso com menos estilo. Com uma boa disposição que só se encontra nas gentes destas terras, encetou logo conversa connosco, sobre motas claro. Dizia ele que a motoreta que tinha só dava para andar por ali, mas que era económica. Apontando para as Tigers disse-nos que também já tinha tido motas dessas em Lisboa, 125 ou assim. Uma simpatia que deixa qualquer um bem disposto! Despedimo-nos e seguimos caminho para mais uns quilómetros de estrada.

O Sol estava a erguer-se, a estrada era boa, e foi com excelente disposição que saímos de Portugal por Rosal de La Frontera. Abastecemos a cerca de menos 0.20€ o litro, ó alegria e, seguimos em direcção a Aracena.

Para baixo notava-se muito trânsito no sentido contrário. Estávamos na dúvida se por aqui também seria feriado de Todos os Santos, e era mesmo.

Para além disso, nesta altura os espanhóis da zona entretêm-se em passeatas pela Sierra de Aracena a apanhar castanha que por aqui é aos milhões. Não estou a exagerar, apercebemo-nos disso porque as bermas estão cobertas de castanhas largadas pelos castanheiros junto à estrada.

O tempo estava bom, o ritmo também, e por este andar ainda iamos almoçar a Arcos de La Frontera, o nosso destino.

Teria dado, já que o pessoal aqui pensa no almoço depois das 14h00, mas na verdade optámos por parar num Assador à beira da estrada.





Não se comeu mal. Mandámos vir uma “ensalada” e uns lombinhos de porco saborosos e bem aviados. A batata é que estava banhada em óleo como é costume, mas nada de preocupante.



Terminou-se com um café solo e ficámos enfartados. Seguimos para a estrada, já pouco faltava para chegar aos Pueblos Blancos.

Antes de seguir, algum contexto: os Pueblos Blancos resumem-se a uma vintena de aldeias e cidades localizadas na sua maioria no Parque Natural da Serra de Grazalema, situada no Norte das Províncias de Cádiz e Málaga. Estes pequenos aglomerados populacionais caracterizam-se pela sua traça fortemente inspirada nas Medinas Árabes. São formados por pequenas casas brancas com telha castanha, amontoadas em encostas ou enfiadas em vales. Estes Pueblos isolados na Sierra, nascem durante a reconquista espanhola da Andaluzia aos Árabes. Nessa altura os mouros são perseguidos e alguns refugiam-se na serra para não regressar despojados a África. Formam então estas aldeias e vilas seguindo o modelo da Medina. E assim, se mantiveram estes locais até hoje em dia, fantasticamente preservados.

Bom, nós saímos da nacional, e dirigimo-nos para Villamartín, um dos Pueblos limítrofes a Norte. Apareceram as primeiras planícies que nesta altura estão “carecas” de qualquer cultura. Aqui cultiva-se muito girassol, quando digo muito é mesmo muito. Hectares e hectares de girassol plantados.

Chegámos a Villamartín, que não é nada de especial diga-se de passagem. Claramente um dos Pueblos menos interessantes. Ainda nos perdemos na saída por uma indicação errada do GPS.



Fizemos meia-volta, e seguimos para Bornos, outro Pueblo ali pertinho.

Bornos também não é particularmente bonito, mas tem uma característica importante, uma albufeira mesmo defronte, com vista para a serra.

Depois de nos enganarmos à saída de Villamartín, fizemos o mesmo à entrada de Bornos. Tudo bem, estamos com tempo e estamos de férias!

Atravessámos o Pueblo e fomos até à beira da albufeira, havia por lá muita juventude.



Estacionámos as Tiger e fomos tirar umas fotos bem bonitas.



Não nos demorámos e saímos dali para Arcos, o nosso destino logo mais à frente.

Arcos de La Frontera é um Pueblo importante e a sua dimensão já lhe confere estatuto de cidade. Está impressionantemente localizado num penhasco e é o local perfeito para se ficar e para primeira abordagem aos Pueblos. A cidade é um excelente postal, e possuí uma série de características típicas que resumem bem o que é o espírito Andaluz.

Entrámos pelo Norte da cidade e encontrámos logo o hotel, bem situado e totalmente enquadrado com o espírito da cidade. Estacionámos ali perto as Tigers e fomos tratar do check-in.

Acertámos com o rapaz na recepção, um tipo jovem muito simpático e decidimos deixar as motas no parque de estacionamento coberto ali próximo.

Malas descarregadas, motas arrumadas, roupa trocada e saímos à rua para desfrutar o espectacular fim de dia na cidade. Ainda antes de sair, numa pequena conversa com o recepcionista ficamos a saber que este edifício foi construído em 1834 de raiz com a finalidade de hotel, sendo o primeiro em Arcos e o mais antigo da Andaluzia. Segundo ele, também o mais antigo de Espanha. Terá ainda funcionado como casino durante algum tempo, mantendo até aos dias de hoje grande parte da sua estrutura e decoração original.



Já no exterior subimos até à zona antiga da cidade ou “casco antiguo” como lhe chamam.





Percorremos as ruas estreitas em direcção à Plaza del Cabildo onde se tem uma das melhores vistas para o exterior da cidade mesmo de cima do penhasco.



Esta praça serve também a magnífica Basílica de Santa Maria datada do século XV.



Muitas fotos que ficaram particularmente bem com a ajuda da magnífica luminosidade do Sol em fim de tarde.



Continuámos pelas ruelas em direcção ao miradouro dos Abades no lado Este da cidade.





Pelo caminho já se via muita vida nas ruas: beber e comer é com este pessoal!



Mais umas fotos fantásticas, e regresso a Oeste por outro caminho.











Mais fotos no miradouro del Cabildo e descemos até um pouco mais abaixo do nosso hotel à procura de ceia.





Estávamos ambos bem aviados do almoço, pelo que fomos à procura de algo mais leve e ao estilo andaluz. Parámos num bar e mandávamos vir de beber. A comida veio mais tarde dado que a cozinha ainda não estava aberta. Este pessoal só começa a pensar em comer lá para as 9 e picos da noite. Vieram umas gambas al ajillo, uns pinchos e umas patatas bravas. Estava tudo bem bom! Fomos comendo, bebendo, falando e espreitando a vida em nosso redor, fazendo como eles fazem e ficámos satisfeitos.

Ainda antes do descanso, mais uma voltinha a el Cabildo para umas fotos nocturnas e finalmente regresso ao hotel para mandar umas fotos para a net e para o merecido descanso.





Amanhã, la Sierra, de preferência sem chuva se faz favor!

continua...

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Drifterman

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Qua 07 Nov 2012, 22:41

é só meter nojo seu bandidos Mad e eu a vê-los passear Evil or Very Mad este ano têm sido para esquecer Sleep
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rikcorreia

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Qui 08 Nov 2012, 14:46

Drifterman escreveu:
é só meter nojo seu bandidos Mad e eu a vê-los passear Evil or Very Mad este ano têm sido para esquecer Sleep

Marco

Posso me juntar ao clã..... tem sido complicado, mas espero que melhore Wink

Por enquanto, estas fotos e cronica, está soberba. Obrigado pela partilha Daniel Wink

Abraço
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JJ Silva

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Qui 08 Nov 2012, 18:10

Mais um excelente report. Cool
Talvez me junte na próxima aventura.
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Cobra

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Qui 08 Nov 2012, 21:32

Pá, vocês da próxima não têm desculpa vamos a casa sequestrá-los...

lol! lol! lol!

Hoje sai mais qualquer coisa...

Cumps!

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Cobra

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Qui 08 Nov 2012, 22:32

Dia 02, Arcos de la Frontera - Ronda.

Acordámos, rotina da manhã e descida para tomar pequeno-almoço, que seria servido num café, na porta ao lado do hotel. Decoração tradicional e típica com uma série de fotos antigas de Arcos penduradas na parede. Café com “leche”, tostada e um sumo de laranja se faz favor.

Despachados, saímos do hotel para ir buscar as “burras” que tinham ficado em descanso na garagem. Fomos saldar as contas à recepção e com o tipo do café que para além de 1,80€ acordado por café e torradas conseguiu nos levar mais um euro e picos extra pelo sumo de laranja. Tudo bem, 3€ e tal está ainda em muito boa conta para pequeno-almoço.

Carregámos as malas e saímos da cidade. O céu estava totalmente nublado sem ameaçar chuva. Está certo que não iríamos ver o Sol hoje, mas pelo aspecto também a água não nos faria companhia. Ainda antes de sair de Arcos, paragem no miradouro exterior da cidade que proporciona a típica foto de postal. Vale a pena fazer a despedida por aqui.





Lubrificaram-se as correntes e seguimos até ao primeiro posto para atestar depósitos. Tudo pronto, e siga serra acima! Atravessámos El Bosque e a estrada começava a serpentear. Em nosso redor uma magnífica paisagem de montes e vales. Primeira paragem rápida em Puerto de Boyar.









Logo de seguida descida a Grazalema para tirar umas magníficas fotos deste Pueblo escondido no vale.











Voltámos atrás e subimos até Puerto de las Palomas. Aí desligámos as Tiger e subimos ao miradouro.











Daqui consegue se ver a estrada ziguezagueante que iríamos ter pela frente.



Regresso às motos e iniciámos a descida em modo turismo, curtindo a estrada e paisagem. Assim que começámos a avistar a albufeira de Zahara nova paragem, sem sair da moto, para tirar uma foto.



Mais uns quilómetros e entrávamos em Zahara. Este Pueblo digno de destaque, está maravilhosamente situado na encosta de um monte e debruçado sobre a grande albufeira do mesmo nome.



As ruas são estreitas e íngremes, como é típico. As casinhas de um branco angelical vão se amontoando pela encosta, culminando nas ruínas de um castelo bem erguido lá no cimo.



Atravessámos Zahara em direcção à praça principal, com cuidado para não virar o “boneco”!



A sorte estava do nosso lado e conseguimos arranjar um lugar para as Tiger na praça principal, o estacionamento por aqui é coisa rara.



A temperatura estava amena e fomos explorar a aldeia. Começámos a subir em direcção ao castelo e quando pensávamos que já o tínhamos alcançado, faltavam afinal mais uns 200 metros de subida íngreme.





A vista daqui era boa, e desistimos de subir mais.





Voltámos à praça e sentámo-nos na esplanada. Ainda era cedo, mas já se serviam almoços e havia Wi-fi grátis por aqui.



Fomos ao menu de dois pratos, que não estava nem bom, nem mau, antes pelo contrário. Salada de tomate para entrada (ou como lhe chamam: “tomate aliñado”) e frango para prato principal com direito a sobremesa no final.



Estava-se muito bem ali e depois de terminar o repasto fomos desmoer até outra praça mais adiante onde se encontrava um mar de gente a comer e beber.





Tínhamos acabado de almoçar e este pessoal estava a preparar-se para começar!







De volta às motas, enfiar capacete, casaco, luvas e seguimos o caminho.



Saímos de Zahara, contornando a albufeira e cerca de 1km mais adiante ainda conseguimos tirar mais umas fotos com vista para a albufeira e cidade.





continua...

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Última edição por Cobra em Dom 11 Nov 2012, 23:09, editado 1 vez(es)
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Cobra

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Dom 11 Nov 2012, 23:08

Mais à frente uma breve passagem por Algodonales, sem paragem que não há por lá nada digno de registo. Finalmente, e após mais quilómetros de boa estrada aproximávamo-nos de Olvera, um Pueblo interessante, grande, encarrapitado no topo de um morro. Entrámos na cidade por um acesso alternativo que nos deixou mesmo onde queríamos, a meio caminho do privilegiado miradouro onde se encontra a magnífica igreja de Nuestra Señora de la Encarnación. O acesso até lá é íngreme e estreito, fomos com cautela e chegámos ao topo sem problemas.











Esticar pernas, tirar umas fotos, dois dedos de conversa e estávamos a caminho de Setenil de las Bodegas.

Setenil destaca-se dos outros Pueblos por uma curiosa característica que é o facto de parte das suas casas estarem efectivamente cravadas na pedra! A vila encontra-se localizada num vale rochoso e a sua população tirou partido do facto, aproveitando a estrutura em forma de gruta formada pela rocha para aí abrigarem as suas casa, o que confere ao sítio um ar pitoresco. Estacionámos facilmente as motas numa dessas ruas e fomos passear um pouco a pé.









Seguimos por uma margem e regressámos por outra. Muita graça têm estas ruas cavernosas com os casarucos enfiados na pedra, às vezes de uma forma que mete medo.





E siga para Ronda que ainda há dia pela frente. Saindo de Setenil prosseguimos pela estrada que vai saindo da serra e nos leva para Sul. Chegámos a Ronda a meio da tarde, seriam umas 16h00 quando rolava-mos pela primeira vez na cidade. Encontrar o hotel foi fácil, fica mesmo junto à rua principal. Encostámos as motas e seguimos a pé para fazer o check-in. Um estabelecimento pitoresco, tradicionalmente decorado em tons de “corrida espanhola” com relíquias de todo o tipo espalhadas aos quatro cantos. Fomos simpaticamente recebidos e logo nos entregaram a chave da garagem para guardar as motos. Assim fizemos, e deixámos as máquinas numa garagem localizada a uns 100 metros dali. O hotel era composto por café e restaurante no piso térreo e daí se tinha acesso aos quartos através de uma porta pequena envidraçada. Os quartos concentravam em redor de um pátio, no melhor estilo de riad mouro (casa árabe). O corredor era estreito e levados ao engano com o número do quatro, ainda andámos ali para à frente e para trás. Ddepois de muito bater com as malas, demos com o quarto certo.
O quarto estava coerente com a restante decoração, uma espécie de estilo cruzado entre o andaluz, árabe e uma hacienda mexicana. Tudo com excelente aspecto renovado.





Começámos por montar o “estendal” habitual do equipamento de mota, trocámos a roupa e saímos à rua para desfrutar a cidade.

Durante todo o dia tinha-nos acompanhado um céu cinzento nublado que nos impossibilitou de ver qualquer raio de Sol. Neste momento por cima de Ronda as nuvens começavam a assumir uma tonalidade carregada, o que ia ao encontro da previsão meteorológica.

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Dom 11 Nov 2012, 23:50

Passámos a praça de touros – famosa por ser a mais antiga de Espanha em estilo contemporâneo e a primeira onde foi exercido toureio de morte a pé – e seguimos para a Alameda del Tajo, um passeio pedonal ajardinado que faz também de miradouro na margem Oeste da famosa ponte nova.











Inicialmente não encontrámos muita gente, o que é estranho em Ronda, dado que vive essencialmente do turismo. A medida que avançámos para Oeste começou-se a adensar de pessoas e quando demos por ela estávamos no meio de uma feira medieval. Póneis para cima e para baixo, um grupo de músicos a tocar bandolim e gaita-de-foles e uma série de barraquinhas a vender comida, bebida e todo o tipo de traquitanas.



Uma das barracas chamou-nos a atenção, tinha claramente influência moura e por ela estavam dispostos uma série de doces e chás árabes.



O fulano que mantinha o negócio era novo e parecia ser autêntico e oriundo do Norte de África. Assim que o vimos a servir um maravilhoso chá erguendo bem alto dois bules (um em cada mão) para fazer a mistura no copo ficámos convencidos. Para quem não conhece o chá marroquino é geralmente servido numa mistura chás de hortelã menta com planta de chá. A concentração de cada um pode variar, sendo que os berberes preferem beber o chá sem qualquer toque de menta (chamam-lhe whisky berber). Um tipo que mistura com mestria os dois é sem dúvida alguém que percebe do assunto, não há que enganar. O Rui pediu-lhe dois chás e sentámo-nos para beber. Não nos tínhamos enganado, ficámos a saber que o fulano era de Marraquexe e o chá estava divinal.



Continuamos pela feira adentro, havia um pouco de tudo. Pechisbeque, pedras preciosas, especiarias, frutos secos, amendoim aromatizado, rebuçados, gomas, e uma banca com uns 6 metros de pão e doçarias.



O Barradas ficou hipnotizado com uns donuts do tamanho de bolo rei cobertos de chocolate. Ficou na dúvida se era capaz de sozinho dar conta de um. Disse-lhe que ficava com metade se ele quisesse e mandámos vir um a meias.

Chiça nabiça que não foi fácil consumir metade daquele donut gigante! Entretanto tinha começado a chuva. Uns pinguitos aqui e ali, mas dava para perceber que ia pegar.



Seguimos pela alameda até à calle Emingway que contorna o magnífico Parador da cidade debruçado sobre o vale.







Daí chegámos ao ex-líbris local a fabulosa Puente Nuovo. E aqui será interessante desenvolver um pouco o assunto. Geograficamente Ronda está situado no topo de um penhasco dividido ao meio por um precipício conhecido por Garganta del Tajo. Assim a cidade é composta por duas partes separadas a meio pelo rio Guadalevín. Para unir as margens, foram construídas três pontes. A ponte romana, mais a Norte onde a altura é menor, a ponte velha (ou árabe), logo a seguir e a nova mais recente, no topo do penhasco à altura de 98 metros. Trata-se de uma obra imponente, sendo constituído por duas torres e três arcos suspenso a 90 metros de altura sobre a Garganta del Tejo. Impressiona qualquer um e proporciona sempre belos momentos fotográficos. Mas para captar toda a sua beleza é necessário sair um pouco da cidade e descer alguns metros em altura. A noite já estava praticamente posta e não tínhamos, nem estava tempo para isso. Tentámos da melhor forma a partir das suas margens captar retrato à altura.



Espreitámos ambos os lados da ponte e a garganta lá em baixo, a altura impressiona.







Demos uma voltinha à Plaza de Espanha para onde dá o Parador e regressámos por dentro passando pela Plaza del Socorro, uma espécie de Rossio lá do sítio.









Seriam horas de jantar e optámos por fazê-lo no restaurante do hotel onde estávamos alojados, que nos pareceu ter boa pinta e ser acolhedor. Depois, com a chuva que já caia e no caso de estarmos bem bebidos, só teríamos de nos ajudar um ao outro para subir aos aposentos.



Já sentados à mesa e consultando a ementa recomendaram-nos o menu turístico composto por uma colecção de “entrantes” tradicionais seguidos de um prato principal típico. Pareceu-nos bem, não propriamente barato, mas sem dúvida adequado. Para começar, “ensalada” mista, finas fatias de presunto extra, queijo mergulhado em azeite, ovos “revueltos” (mexidos) e morcela cozinhada…



Eu confesso que ficava bem só com isto.



Mas por cima veio ainda o prato principal, uma peça larga de entrecôte de vitela para mim e um rabo de toiro para o Barradas. Sim, se ficaram na dúvida trata-se mesmo da cauda do animal e não de uma parte do quadril. Uma especialidade local, não estivéssemos nós na cidade dos Romeros (famosa dinastia de toureiros rondanos, ou serão rondeiros?).



Tudo da melhor qualidade e cuidadosamente confeccionado. Uma refeição digna de reis. No final ainda os “postres”, menos espectaculares, mas satisfatórios. No que toca a sobremesas sempre achei que faltava imaginação aos espanhóis, não é raro o lado onde quando se pede um pudim flã vem para a mesa uma embalagem do Lidl ainda fechada. Repasto memorável que demorou algum tempo, que é como assim deve ser. Lembro-me que fomos falando de vários temas e que a meio o meu telemóvel resolveu suicidar-se no meio de um envio de fotos para o “livro das fuças”.
No final estávamos sóbrios mas tão cheios que achámos melhor voltar à rua para desmoer um bocado. Saímos, mas não demorámos, o tempo não estava para passear.





Mais um dia excelente de turismo, com boas estradas, paisagens e comida.
Infelizmente a previsão meteorológica para o dia seguinte continuava a não ser tão animadora.

continua...

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Cobra

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Dom 18 Nov 2012, 23:53

Dia 03, Ronda - El Rocio

Acordámos com o barulho da chuva… Bonito! Não era que fosse surpresa, estava alinhado com a previsão.

Rotina matinal habitual, e descemos até ao piso térreo do hotel para comer qualquer coisa. O pequeno-almoço era servido numa divisão ao lado do restaurante, com a mesma linha decorativa das festividades taurinas. Café com leite, torradas e sumo de laranja, o habitual. Aqui para além da manteiga e doce, tivemos direito a paté e molho de tomate para cobrir as “tostadas”! Olé! Tínhamos acordado corajosos, de modo que o Barradas atirou-se ao paté e eu ao tomate e azeite… O Rui gostou, eu não fiquei fã.
Entretanto já tínhamos espreitado como estava lá fora, e não estava bem. Chuva fraca certo, mas tocada a vento…

Pagámos, descemos com as malas e fomos buscar as motas que tinham ficado numa garagem numas ruas mais adiante.
Tirámos as Tiger do estábulo e estacioná-las à beira do hotel não foi linear… A rua que dava para a garagem era de sentido único, de modo que não pudemos fazer o caminho de volta que era bastante directo. Assim, tivemos que inventar e tentar encontrar o caminho de volta. Por ruelas e empedrados bem molhados, andámos ali perdidos uns minutos até finalmente dar com a rua principal que passava ao lado do hotel. Carregámos as malas e seguimos.

Logo à saída de Ronda, tivemos de parar para enfiar as luvas de Inverno. Mudei duas ou três vezes de cor antes de conseguir enfiar as mãos molhadas dentro das luvas!
Finalmente saímos de Ronda, e pingava. Depois de uma noite de chuva, a estrada estava com uma camada de água impressionante, nalgum piso inclinado fazia um pequeno ribeiro. Havia pouco trânsito mas fomos com calma. Eu já estava ver o que iriamos ter à nossa frente, ou melhor o que não poderíamos apreciar, outra bonita passagem pela Serra! Efectivamente, depois de andar na véspera pelo lado Norte de Grazalema, hoje tinha previsto uma passagem pelo lado Sul. Tínhamos uma quantidade de quilómetros para fazer com um possível desvio pelo pueblo de Algar, que só valeria a pena fazer em boas condições de estrada e tempo. Deixámos a decisão para Ubrique, lá chegados logo se avaliava como estariam as coisas. O troço até à entrada da Serra é relativamente rectilíneo e bonito, fazendo-nos atravessar uma série de planícies. Pouco vimos, pois como se não bastasse a chuva, fomos brindado com um denso nevoeiro que nos acompanhou durante toda a viagem até saímos da Serra. Porque aqui passei em Agosto, sei que neste caminho se atravessa um belíssimo vale que nos cerca com paredes imensas de calcário. Pois desta vez, nem dei por passar por ele, para ficarem com ideia da quantidade de nevoeiro que havia!



Daqui até Lisboa, as Tigers foram praticamente sempre com os faróis de nevoeiro ligados, e não foi para o “estilo”.
Às tantas já mal via o farolim da mota do Barradas que seguia à frente! E quando chegámos ao troço de curvas (algumas em cotovelo) deixei mesmo de o ver. Subimos a Serra nestas condições e descemos nas mesmas condições. As Tigers seguiram sem estrebuchar e em situação alguma senti a mota a deslizar ou fugir, apesar dos mais de 16.000kms que levam os Bridgestone Battlewings. É um pneu que gosto verdadeiramente (a Strom levou dois jogos destes) e acho que assenta que nem uma luva na XC, é um pneu que não desilude, e não sendo o supra-sumo em nada, é bom em qualquer situação.

Por fim aproximávamos de Ubrique. Parámos logo na estação de serviço à entrada, para reabastecer e relaxar um pouco. As minhas luvas novas estavam a aguentar-se bem, as do Barradas já estavam a meter água. O casaco estava a aguentar-se, mas a ponta das mangas já estavam a ficar ensopadas…




Que se lixe! Decidimos descer até Ubrique e beber por lá alguma coisa. E estava um movimento danado para um dia destes.






Estacionámos as motos e fomos à procura de um café. Encontrámos um com esplanada coberta, a funcionar ao lado de um antigo cinema convertido em fábrica de peles. A indústria de peles aqui é importante, e as ruas estão repletas de pequenas lojas com produção própria.





Ubrique é um pueblo blanco interessante, tem uma dimensão considerável quando comparado com outros pueblos, e está localizado numa cova rodeada por um maciço calcário que lhe confere um aspecto único.

Recompostos voltámos à estrada. Esquecemos a ida a Algar, já tínhamos visto nevoeiro que chegasse. E a propósito disso, tínhamos alguma esperança que o nevoeiro desaparecesse ao sair da Serra. De facto ficou melhor, mas a chuva nem por isso. Mais água e mais vento, foi o que apanhámos até à proximidade de Sevilha. Por vezes era insuportável. Mas lá seguimos mantendo sempre a boa disposição! Felizmente a temperatura não estava mal, e não passámos frio. À entrada de Sevilha, seguia à frente guiado pelo GPS, que estupidamente nos fez entrar pela cidade dentro. Não era a primeira vez que acontecia, já na Rota Berber tivemos este erro no percurso. Sempre que se passa pelas imediações de Sevilha, há ali qualquer parvoíce no TomTom que o impede de passar ao largo da cidade! Demos meia volta e encarrilhámos em direcção a Huelva, a terra do morango.
Mesmo com as contrariedades meteorológicas não estávamos atrasados, e provavelmente até daria para almoçar no destino. Mas tinha dúvidas que houvesse alguma coisa de interessante para almoçar em El Rocio. Trata-se de uma aldeola equestre fundada em redor de um santuário, e do que me lembro, comes e bebes não são o seu forte. Assim decidimos almoçar pelo caminho nalgum boteco que encontrássemos. No caminho passámos por Pilas, e claro tivemos de tirar uma foto!



Demos uma volta a Pilas, na esperança de comer alguma coisa de jeito. Mas Pilas não tem onde comer. Ou melhor, o pouco que havia estava encerrado, e estávamos em pleno horário de almoço, que é como quem diz, depois das 14h00. Andámos por Pilas acima e Pilas abaixo, a apanhar chuva, e desistimos. Não ficámos impressionados com Pilas. Claramente fica o conselho, não vão a Pilas, não vale a pena.

Já prestes a entrar no parque natural de Doñana,e ainda sem sítio para comer. De repente, depois de uma rotunda, demos com o “Meson do Gato”… Veio mesmo a calhar, e parámos logo ali. Tinha estacionamento coberto, o que vinha mesmo a calhar. Entrámos, tinha bom aspecto. Decoração tradicional e com aspecto de restaurante igual aos nosso.




Tirámos as luvas e despimos os casacos que ficaram literalmente a pingar. Uma salada para “entrantes” e uns bifinhos para cada um.



Estava bom e o empregado era bem simpático. Quis saber de onde eramos e ia dizendo umas palavras em português, dizia ele que havia muito português por aqui por causa da apanha do melão e morango. A refeição calhou-nos fabulosamente bem, e para finalizar em grande estilo uma especialidade loca, uma espécie de pudim de queijo que estava simplesmente divinal.



Efectivamente se houve coisa que não calhou mal durante a nossa viagem, foram as refeições! Tudo muito bom e a preços razoáveis, que é a meu ver coisa não muito frequente em Espanha. Café “solo”, que veio curto e que não ficou a dever em nada às bicas portuguesas, outra coisa rara. Ficámos mesmo bem! Despedidas e voltar a vestir casacos para mais uns quilómetros até El Rocio.



Mais chuva pelo caminho e finalmente chegávamos ao destino.

continua...

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Ter 20 Nov 2012, 00:29

Mais chuva pelo caminho e finalmente chegávamos ao destino.

El Rocio é peculiar, trata-se de uma aldeia onde as estradas são de areia por causa dos cavalos e charretes, e a maioria das casas, num estilo muito característico são conhecidas por Hermandades. Há Hermandades de vários tamanhos, de pequeninas até ao tamanho de um quarteirão. Este edifícios sempre compostos por uma capela ou igreja de devoção são erigidas pela mão de comunidades religiosas regionais. São os elementos de cada comunidade que podem depois usufruir das mesmas, em especial durante o mês de romaria à virgem santa de El Rocio que inicia em Agosto de cada ano. Por essa altura é verdadeira fiesta por aqui, com uma enchente de gente na rua, muito comer e beber, música, e tiros para o ar… Se há coisa que os espanhóis dominam é festa rija, disso não tenho dúvidas. Para comer, beber, cantar e bailar, não há pai para esta boa gente!

Entrámos pelo Rocio com algum receio, andar na areia de mota com um temporal destes ninguém gosta, e levantar os Tigres do chão no fim do dia, não nos estava de facto a apetecer! Mas nada, entrámos por ali adentro na boa, sem qualquer chatice. Problema foi estacionar as Tigers à entrada do alojamento onde iriamos ficar. É que os descansos funcionam bem no alcatrão, já na areia não funcionam... Ficámos os dois atrapalhados a olhar um para o outro à procura de algum lugar para assentar o descanso. Felizmente um espanholito ali próximo viu o nosso incómodo e rapidamente desencantou dois pedaços de madeira para colocarmos debaixo dos descansos. Ufa, que esta foi difícil… Com as motas convenientemente estacionadas fomos directos à recepção fazer o check-in.



Edifício amplo com duas portadas grande de madeira que se abriam para uma sala que também servia de recepção. Para lá da entrada, duas portas grandes de vidro que davam para um pátio sobre o comprido onde em redor se localizavam as habitações. No seu melhor castelhano, o Rui já tinha averiguado previamente por telefone a possibilidade de resguardar as motas. O tipo tinha falado na existência de um pátio onde poderíamos deixar as “burras” a salvo… Ora espera lá… Pátio, só vejo este, mas para isso é preciso literalmente entrar no edifício e atravessar a recepção, como se fosse um cavalo.

Eh eh… Vamos a isso… O fulano abriu bem as portadas de entrada, e as vidraças do pátio, e hop… Já lá estávamos dentro! Arrumámos as Tiger ao fundo, debaixo de uma escadaria, a 2 metros de distância do quarto onde iriamos ficar.



Resolvido este problema, passámos ao seguinte que foi pendurar todo o equipamento nas portas do armário de modo a que ficasse estrategicamente virado para a saída do Ar Condicionado, e colocar este último a 30 graus centigrados.



Depois banhoca quente, vestir uma roupa quente e sair à rua para aproveitar o resto dia, enquanto deixávamos o quarto em modo estufa.



Felizmente quando chegámos à rua a chuva parecia ter dado tréguas. Perfeito para podermos passear…



Quer dizer, o ideal era termos tido um bonito céu azul, mas por esta altura não chover nas nossas carolas já era muito bom!



El Rocio por esta altura está a menos que meio-gás e muito longe do espírito de loucura que há por aqui no Verão. A maioria das Hermandades estão fechadas, ainda assim havia algum movimento na rua.







Seguimos rua abaixo, na direcção da bonita ermida. El Rocio não é muito grande e eu tinha mais ou menos uma ideia de onde ficava. Pelo caminho fomos fotografando as ruas e as Hermandades, algumas são verdadeiramente bonitas e até um pouco exuberantes.







Finalmente chegámos à ermida que se localiza junto a um curso de água (Arroyo de la Rocina) que forma ao seu lado uma espécie de albufeira pantanosa. Hoje a albufeira estava cheia, lembro-me que quando cá estive em Agosto estava seca e alguns cavalos por ali pastavam.










Passámos pela capela das velas, um edifício longo onde os devotos deixam as suas velas em homenagem à santa, velas verdadeiras, nada daquelas lâmpadas foleiras em forma de chama.





Infelizmente a frente da ermida estava em obras, pelo que não foi muito fácil achar o melhor enquadramento.







Depois fomos lá dentro, onde não são permitidas fotos. Pois nem de propósito estava por lá uma velha espanhola a tirar algumas com o flash ligado.

A santa estava ausente do seu pedestal, 2012 é ano de Jubileu e assim transitou no mês de romaria para a aldeia de Almonte mais a Norte, o Traslado. Para ano, volta à base, e é a loucura total durante as festividades com mais de 1 milhão (!) de visitantes. Torna-se a 3ª maior cidade de Espanha nesta altura, durante o resto do ano tem cerca de 2000 habitantes.

O interior da ermida é relativamente simples e não muito grande. Existe um altar imponentemente decorado a dourado, mas fora isso predominam as paredes de um branco imaculado. Aliás, isso é regra. Quer por fora, quer por dentro a ermida está impecavelmente mantida e preservada.

Depois de uns quantos cliques de máquina, desviámos para a estrada onde o nosso amigo da recepção nos tinha indicado um restaurante para comer. Demos com ele, “Aires de Doñana” no estilo assador, e não tivemos dúvidas que se comia ali bem, mas os preços eram proibitivos.



Ainda era cedo, tínhamos ficado bem com o almoço e decidimos que ficaríamos melhor com uns petiscos ou tapas, como se chama por aqui. Parámos num café, bebemos um copo e seguimos para cima.

Efectivamente comer por aqui não é coisa simples, ainda para mais nesta altura. Parámos num boteco com ar simpático e perguntámos pelo que havia para comer… Azareco, a cozinha só abria às 21h00, pelo que para comer só salada russa ou pimentada…

Ora deviam ser umas 20h00, de modo que venha daí uma salada… Deve ter sido a salada russa mais estranha que comi na minha vida… Tinha um forte travo a cerveja, que é paladar que eu não estou à espera numa salada, nem mesmo russa. Deve ser receita daqui, ou então é caganeira na certa!

Despachámos a salada e mais um copo, nada se passava ali e ainda falta um bom pedaço para que a cozinha “magicamente” se abrisse… Sinceramente não percebo esta regra restrita, parece que estava capaz de ir tudo preso se o raio da cozinha abrisse antes da hora…

Saímos, andámos um pouco mais para cima na direcção da estação de serviço à entrada de El Rocio onde nos pareceu estar um restaurante. E estava, um edifício grande e pomposo, mas problema. Não se via vivalma por ali, apenas uma loura espampanante que saíra de um carro de luxo e entrara para dentro do restaurante deserto… Mau, é melhor não inventar que este pessoal gosta de confundir refeições com mulheres e varões, e nós de momento só nos interessava as primeiras!

Voltámos ao boteco da cozinha que só abria às 9 da noite… Felizmente estava quase na hora.

Mandámos vir mais um copo e esperámos enquanto víamos o Cristiano Ronaldo a jogar na televisão. Já passava das 21h00 e ainda não havia cozinha aberta… Irra que está difícil… Mais dez minutos e finalmente o espanhol traz-nos as ementas de tapas para a mesa… Óptimo.

Pedimos umas patatas alioli (batata cozida como molho alioli), pinchos de pollo (espetadas de frango com tempero característico) e llomo ajillo (carne de porco em molho de alho) para começar.

Não demorou a chegar à mesa, e mandámo-nos às tapas e ao pão. Tudo caseiro e muito bom! No final da primeira rodada estávamos satisfeitos e ficámos por ali. Tínhamos almoçado bem, e estas tapas vieram mesmo a calhar para aconchegar o estomago sem enfartar.

Pagámos e voltamos para o alojamento, já estava noite cerrada.



As Tigers lá estavam à nossa espera, e no quarto um fabuloso ambiente tropical. A maior parte do equipamento tinha secado. As luvas do Rui continuavam molhadas, e as mangas dos nossos casacos também. Estávamos esperançados que tudo secasse durante a noite.







A recepção do wifi era péssima e o Rui teve de sair do quarto e carregar umas fotos em cima do banco da Tiger onde a captação era melhor.

E vamos à deita, que amanhã é o último dia com regresso ao nosso querido Portugal.

continua...

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Ter 20 Nov 2012, 14:45

Excelente. Tenho mesmo que arranjar uma escapatória deste género.
Levavam as malas com muita tralha?
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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Seg 26 Nov 2012, 00:18

Ainda falta o relato do último dia, mas entretanto deixo aqui o vídeo do primeiro dia.


Para ver em melhor qualidade (HD), sigam este link

Cumps!

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Seg 26 Nov 2012, 00:19

João, as malas laterais iam cheias, a topcase vazia para guardar o capacete.

Mas convém referir que um casaco quente e uns sapatos numa das malas laterais não deixam espaço para muito mais.

Cumps!

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Ter 04 Dez 2012, 00:21

Dia 04, El Rocio - Lisboa

Depois de uma boa noite de chuva, acordámos nem tarde, nem cedo… E cum caneco, o tempo não estava melhor, e ameaçava ainda mais chuva!!!
Bem, vamos mas é despachar. O equipamento pendurado nas portas do roupeiro estava meio-seco e meio-molhado…
A camisola e as luvas do Barradas continuavam húmidas, e as mangas do meu casaco também. Antes de sairmos para o pequeno-almoço voltámos a aplicar o método de secagem do dia anterior, ar condicionado a 30ºC com a ventoinha a fundo!
O pequeno-almoço era servido na sala ampla junto à recepção. E foi o recepcionista do dia anterior que nos atendeu. Deu-nos a possibilidade de ficarmos no alpendre, mas optámos por ficar dentro do edifício, não estava dia para apanhar Sol.
Tostas e café, o habitual. Aviámos num quarto de hora o que se apresentou na mesa, e regressámos ao quarto onde por esta altura estava um braseiro. Vestimos o equipamento ainda com boas réstias de humidade (tal foi a molha!) e ajeitámos as motas no pátio interior, para carregar as malas.




O Barradas optou por sair com a mota em mãos, e eu fui com ela mesmo a trabalhar… Smile

[/quote]

Cá fora o dia estava como de véspera, piso húmido, céu sombrio a ameaçar chuva. Cheira-me que vem aí mais um dia cheio de água...
Saímos de El Rocio com calma para não nos baldarmos na areia logo pela manhã. Apanhámos a estrada de alcatrão e seguimos para Sul em direcção à costa. De caminho parámos numa estação de serviço para atestar e olear a corrente.
Continuámos pela costa até Huelva. Este troço é basicamente uma recta interminável que passa pelas várias praias da região, sem na verdade lá ir. Digo isto porque os acessos à costa são geralmente mato adentro ao estilo de corta-fogos. Assim a estrada segue ladeando mar à distância, o que não a torna particularmente bonita ou rica em cenário, a não ser, claro, que se aprecie de sobremaneira o pinheiro, que é o que há por aqui com fartura.
Fez-se bem, sem trânsito e nas calmas pela manhã, mesmo bom para o Barradas ir secando as luvas que seguiam penduradas nos espelhos…

Andámos assim uns 50 e tal quilómetros até chegar a Huelva, a cidade do morango. Entrámos pela zona portuária e contornámos a cidade por aí.
A esta distância, Huelva parece grande e suscita alguma curiosidade, mas não tínhamos tempo para visitá-la, e começava a chover… Lindo!

Uma paragem rápida para acertar o equipamento e siga debaixo de chuva em direcção a Norte.

O percurso de regresso que tínhamos planeado fazia-nos entrar em Portugal por onde tínhamos saído, Rosal de La Frontera. No entanto iríamos fazê-lo numa trajectória diferente da de há quatro dias, mais em vertical e portanto sem repassar pelo mesmo percurso. Havia um propósito nisto, cruzar o Rio Tinto e atravessar a região mineira a norte de Huelva. Um roteiro cénico que me ficou na retina quando aqui passei há uns meses atrás. Se não conhecem o Rio Tinto, aconselho-vos a fazerem uma pesquisa. Está classificado como um dos locais mais estranhos do planeta, e o seu nome deriva da sua principal característica, que é o facto das suas águas serem de um tom que varia entre o avermelhado e alaranjado. Como se não bastasse as suas águas são extremamente ácidas, com pH a rondar 2 valores.
E a razão para isto?... Desde sempre que aqui se extrai minério, cobre, ferro, prata e mesmo ouro. À semelhança do que sucedeu nas Minas de São Domingos (Mértola, Alentejo) o exercício destas actividades provoca graves impactos no meio envolvente, nomeadamente pela drenagem das minas que contamina as águas envolventes com metais pesados. Desta forma, é a concentração de ferro em níveis anormais nas águas do rio que lhe confere esta coloração estranha, e consequentemente o seu nome.

Saímos de Huelva por nacionais sempre rumando a Norte e sempre debaixo de chuva.



Seguia à frente e às tantas começo a ver espanhóis no sentido contrário a bater máximos… Eh lá… Será polícia?!
Íamos no limite de velocidade, as condições do piso e tempo não permitiam mais que isso, portanto por aí não havia por onde pegar.
Mas qual quê, não era a polícia… Depois de uma curva a estrada fazia o efeito de um vale, e aí estava inundada… Bonito… Água por cima, água por baixo!
Aquilo é uma boa quantidade de água de suja do qual não se via o fundo… Afrouxei sem parar, e meti-me pela berma direita que parecia levar menos água.
Dei-lhe um bocadinho de gás e passou… O Barradas seguia atrás de mim, e disse-lhe para fazer o mesmo, atravessar pelo lado direito… Passou sem problema e lá fomos nós… Que máquinas do cacete estas Tigers!

Mais um pouco de nacionais e finalmente chegávamos à região de Rio Tinto, onde a vegetação se adensa.
Para passarmos junto ao rio teríamos de fazer um troço serra adentro. No acesso vimos logo a indicação de estrada cortada… Grande galo.
Assim mesmo resolvemos seguir a estrada para ver o que dava... Contornámos a barreira e seguimos… Mais meia dúzia de quilómetros e chegávamos ao ponto crítico.



Rio Tinto à nossa esquerda e uma curva da estrada em obras na sequência de um desmoronamento. Neste momento estava em pé só meia faixa, o que era para nós perfeitamente realizável. Desmontámos das motos e fomos averiguar o estado da coisa. Do outro lado estava um jipe e um casal espanhol que andava por ali a tirar fotos. Vieram ao nosso encontro e o espanhol disse-nos que do outro lado estava um monte de entulho que iria dificultar a nossa passagem. Fomos lá ver e de facto não estava fácil. Os tipos tinham erigido uma barreira de terra e alcatrão moído. As únicas possibilidades seriam passar pelo lado exterior (já que à direita a valeta suja não o permitia) ou atacar o monte de frente e passar por cima dele. O casal veio ter connosco e ele com extrema simpatia, prontamente se ofereceu a ajudar.



O Barradas tinha decidido experimentar a travessia de lado, pela berma. Eu estava com algum receio. Seria um metro de terra mole, que se afundava debaixo dos nossos pés, e para além disso uma ribanceira de 2 ou 3 metros... Sacámos as malas, e o Barradas trouxe a Tiger até junto à berma. Eu e o espanhol ficámos do lado fora para amparar. O Rui foi dando gás, devagarinho, e nós segurando a mota pelo exterior enquanto ele ficava com o pé esquerdo no ar… Ai, ui, ui, ai… E lá estava a Tiger do outro lado… Ufa… Falta a minha…
Comecei a mirar o monte, e a calcá-lo com uns pés num sítio e pareceu-me que era transponível. O espanhol também achou que sim e começou a juntar uns pedaços de pedra e alcatrão em forma de rampa… Vamos a isso, mesmo que encoste por baixo está lá a protecção de cárter para proteger.

Fui buscar a Tiger alinhei-a com o ponto de passagem, o Rui e o espanhol colocaram-se em cada lado para me amparar no caso de algum desequilíbrio.
Meti primeira, dei-lhe gás, sem toques e em 2 segundos estava do outro lado… Caramba, foi mesmo fácil… Que máquinas do cacete, mesmo!

Montámos as malas, agradecemos ao espanhol e demos-lhes o endereço da página do comando para ele depois ver a crónica.
Creio que a companheira dele tirou algumas fotos das passagens, mas eu não me dediquei muito a isso, estava com outras preocupações...

E vamos embora para casa!

A chuva a partir daqui e até Rosal, ia e vinha. O percurso é bastante agradável, uma estrada que serpenteia por meio de uma vegetação rasteira verdejante, e de quando em vez vamos vendo alguns cursos de água que correm com intensidade por esta altura. A estrada estava bem molhada, mas o traçado é simples e não muito exigente o que nos permitiu fazer todo o itinerário descontraídos, a velocidade moderada.

Finalmente chegávamos a Rosal, mesmo a tempo para fazer um último abastecimento com gasolina ainda a preço de “saldo”.

E vamos para Serpa que nos esperam umas migas à maneira na Adega Molhóbico!

E nisto começa a chuva novamente. Assim que entrámos em Portugal e até Serpa fomos brindados com um monumental banho de água, que é coisa que não faltou nestes últimos dois dias. Eu por esta altura ia lixado da vida. Tinha as mangas encharcadas até às axilas, e ainda para mais estava a começar a ficar frio...
Chuva e frio é uma mistura que deixa qualquer um mal disposto… E frio, efectivamente, não tivemos enquanto andámos por Espanha.
O que me safou foi pensar que só tinha de aguentar mais um pouco, para chegar a Serpa e mandar os beiços a umas migas quentinhas de porco preto!
Custou um bom bocado, mas lá chegámos a Serpa, a pingar. Água por dentro e por fora. Tive de tirar o forro térmico do casaco, que já estava encharcado, e vestir um polar.
Deixámos as motas estacionadas no parque de estacionamento e fomos à Adega. Sentámo-nos, pedimos e fomos barrando as fatias de pão com uma deliciosa banha polvilhada com algumas pedras de sal… Divino!



Veio o prato principal que devorámos àvidamente. Não há que enganar, aqui é sempre bom! E mais a sobremesa, se faz favor!… Delicia!



Não demorámos muito, apenas o tempo necessário para satisfazer o nosso apetite. Pagámos a conta e fomos embora.

Parece que não havia mais chuva no horizonte. Não é que chover agora fizesse muita diferença (mais água, menos água), mas fazer o Alentejo por esta altura implica frio. E água e frio é talvez o mais desagradável para quem rola de mota.

Entrámos na A2 perto de Grândola, ligámos a velocidade de cruzeiro entre os 120 e 140 e seguimos assim até à 25 de Abril.
Já passada a ponte, uma paragem para a despedida final e devolução do segundo jogos de chaves, que tínhamos trocado para o caso de se perder o principal.

Mais uma excelente aventura com mais um rol de boas memórias. Valeram os dois primeiros dias de bom tempo que nos permitiram apreciar o melhor daquela zona.
Os dias seguinte podiam ter sido melhores, ou, pelo menos, menos “húmidos”, e teria-se feito a “coisa” com outro à vontade. Ainda assim pudemos apreciar um pouco de El Rocio e fazer uma passagem por aquela bonita região. Ficou mesmo a faltar uma saída pelo sul da Serra de Grazalema que fizemos no terceiro dia debaixo de um nevoeiro denso.

Mesmo assim, em relação às opções iniciais parece-me que não foi má escolha. A zona é fantástica para mototurismo e a temperatura nesta altura do ano é bastante amena. A opção de rumar para Norte teria-nos trazido água em menor quantidade, mas muito frio.

Uma palavra de apreço ao meu companheiro de estrada. Como é habitual, o Rui Barradas, que me vai acompanhando nas minhas loucuras e eu que o acompanho nas dele.
Depois de tantos quilómetros feitos juntos, só posso concluir que alinhamos muito bem na estrada e fora dela. Quer em ideias, maneira de ser, e expectativas que temos sempre destas viagens. Só isso justifica a vontade que temos em perpetuar estas aventuras, arrancar de madrugada e deixar tudo para trás durante uns dias… Viajar de moto tornou-se para mim uma necessidade básica para manter a sanidade mental… Não esquecendo que a sensação de arrancar para o desconhecido, para outras realidades em modo aventura é tão bom como a de regresso a casa…

Ah, e claro, pontuação máxima para as britânicas que em dois dias apanharam litradas de água e nunca se queixaram.
Comportamento cinco estrelas. Nem em condução na condições mais agrestes houve sustos ou percalços… Que máquinas do CACETE!!!

Fim.

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Ter 04 Dez 2012, 15:25

Ehh pá.... Bolas!!!

A minha crónica não há maneira de sair... é uma vergonha eu sei! Mas estou aqui a escorrer baba para cima do teclado!
É caso para dizer: Fos...ga....da-se!!!!! Vamos lá arranjar pretexto para mais uma crónica.

Vamos borrifar-nos para o São Pedro e para o banho que ele teimou em nos dar e vamos provar-lhe que não nos deixamos intimidar.

Daniel, siga para a próxima?
Estou mesmo a precisar de uma saída para arejar os miolos.

A economia Espanhola está em crise e precisa no nosso incentivo em forma de imposto petrolífero.

Vou olhar para o mapa... Wink


Sem dúvida que arranjei aqui um comparsa à altura. Se um diz "mata", logo ali está o outro para dizer "esfola".

Muito, muito obrigado por me fazeres sentir novamente em terras Andaluzas!

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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   Ter 04 Dez 2012, 22:47

Ó caro amigo... É para quando?!...

lol! lol! lol!

É para borga, andar de mota, comer bem, apanhar Sol e chuva?... Estou cá para isso...

E no seguimento gostaria de deixar esta imagem, que não me sai da cabeça... Laughing



Cumps!


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MensagemAssunto: Re: Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)   

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Rota dos Pueblos Blancos (01-04NOV2012)
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